terça-feira, 17 de junho de 2008

1147 - Segunda Cruzada

Segunda Cruzada



Os Estados Cruzados em 1140.











Segunda Cruzada (1147-1149). Em 1144, os senhores de Mossul, numa fase de reunificação da Síria, conquistaram o Condado de Edessa aos cristãos. Na Europa, imediatamente se ouvem vozes clamando pela retomada do condado pelos cruzados. É o caso de São Bernardo de Claraval, que, a pedido do Papa Eugênio III, antigo monge cisterciense e discípulo do Santo, lhe pede que exorte os cristãos a empreenderem uma nova cruzada. Na Páscoa de 1146, em Vezelay, são muitos os franceses que acorrem a escutar as palavras de Bernardo. A nova convocação atraiu vários expedicionários, entre os quais se destacaram o rei da França, Luís VII, o imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Conrado III, para além dos reis da Polônia e da Boêmia.
O imperador parte para Constantinopla, onde chega em Setembro de 1147. Contrariando os conselhos do soberano bizantino Manuel I, os cruzados avançam para a Anatólia, onde são esmagados pelos turcos em Dorileia, em Outubro desse mesmo ano. Luís VII ainda acorre em seu auxílio, encontrando Conrado em Niceia. O que sobrou do exército de Conrado, juntou-se aos franceses, com o apoio dos templários. Com algumas dificuldades de transporte, mais uma vez uma parte do exército teve de ser abandonado para trás (sobretudo os plebeus a pé), e estes tiveram de abrir caminho contra os turcos. Os franceses, entretanto, chegam a Antioquia em Março de 1148, rumando para Jerusalém com cerca de 50 mil soldados. Em Jerusalém, Luís VII e Conrado, depois de algumas discussões, decidem atacar Damasco. Em 28 de Julho de 1148, e depois de cinco dias de cerco, concluíram tratar-se de uma missão impossível pelo que recuaram, terminando assim a segunda cruzada.
Um autêntico malogro, com os seus líderes a regressarem aos seus países sem qualquer vitória. Porém, recorde-se que será desta cruzada que irão sair alguns cruzados dos contingentes flamengos e ingleses para auxiliarem Afonso Henriques na conquista de Lisboa em 1147, uma vez que eram concedidas indulgências para quem combatia na Península Ibérica, como relata nas suas cartas o cruzado inglês Osberno.
O resultado desta Cruzada foi miserável (se excetuarmos a conquista de Lisboa), tendo sucesso apenas em azedar as relações entre os reinos cruzados, os bizantinos e os amigáveis governantes muçulmanos. O fracasso da segunda Cruzada permitiu a reunificação das potências muçulmanas. Nenhuma nova cruzada foi lançada até a um novo acontecimento: a conquista de Jerusalém pelos muçulmanos em 1187. Os cristãos enfrentavam um adversário decidido, Saladino.
Na década de 1180, o Reino Latino de Jerusalém atravessava uma fase delicada. O rei Balduíno IV estava sendo devorado pela lepra e desafiado por um baronato cada vez mais manhoso. Os muçulmanos, pressentindo essa fraqueza, mantinham a pressão no máximo. Qualquer passo em falso seria catastrófico para os cristãos. E não tardou para que ele fosse dado, pelo cavaleiro Reynald de Châtillon (Reinaldo de Châtillon), que atacou uma caravana na qual viajava a irmã do sultão Saladino. Na confusão que se seguiu, Saladino convocou uma jihad.






A Batalha de Hattin num manuscrito medieval.



Saladino capturou Damasco em 1174 e Alepo, em 1183. Em 1187, avançou pela Galileia e, nos Cornos de Hattin, travou a Batalha de Hattin contra um exército cristão. Do lado cristão, as tropas do francês Guy de Lusignan, o rei consorte de Jerusalém, e o príncipe da Galiléia Raimundo III de Trípoli. Ao todo, havia cerca de 60 mil homens - entre cavaleiros, soldados desmontados e mercenários muçulmanos. Já a dinastia aiúbida, repreentada por Saladino, contava com 70 mil guerreiros. Quando os cruzados montaram acampamento em um campo aberto, forçados a descansar após um dia de exaustivas batalhas, os homens de Saladino atearam fogo em volta dos inimigos, cortando seu acesso ao suprimento de água fresca. A cortina de fumaça tornou quase impossível para os cristão se desviarem da saraivada de flechas muçulmanas. Sedentos, muitos cruzados desertaram. Os que restaram foram trucidados pelo inimigo, já de posse de Jerusalém (tomada em em Outubro de 1187). Saladino poupou a vida de Guy, enquanto Raimundo escapou da batalha com sucesso. Isso desencadeou na cristandade uma nova onda de preocupação com a Terra Santa. Em 1189, Guy de Lusignan tentou reconquistar a cidade, num conflito que duraria anos e só seria resolvido com a chegada de um novo personagem: Ricardo Coração de Leão, o rei da Inglaterra.