domingo, 24 de abril de 2011

Forças Especiais - BOPE - Brasil

O Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro é uma das unidades policiais mais experientes em combate urbano no mundo. Desde sua criação, há três décadas, o BOPE teve que desenvolver sua própria doutrina de emprego. Ainda hoje, não existem manuais militares e de segurança pública que orientem o emprego de uma tropa em operações como as realizadas nas favelas cariocas

Vestidos de farda preta, com uma caveira na manga, os policiais do BOPE são a elite da PMERJ. Suas ações ficaram famosas nas telas de cinema, e a forma como opera chegou ao limite que separa as forças de segurança das forças de defesa. O batalhão possui um efetivo de cerca de 400 homens e está ligado diretamente ao Chefe do Estado-Maior da Polícia Militar, de quem recebe suas missões. Mantém permanentemente uma companhia de sobreaviso, e para ocorrências que envolvam reféns, o BOPE possui uma Unidade de Intervenção Tática, com negociadores, atiradores de precisão e um Grupo de Resgate e Retomada.

Especializado em missões aquáticas, helitransportadas, em ambiente de selva, montanha e com o emprego de explosivos, o BOPE cumpre quase que diariamente missões de combate, onde são recebidos com fogo pesado pelos traficantes.

No portão de entrada da sede da corporação, há uma grande placa com a imagem da caveira e um aviso: "Seja bem-vindo, visitante. Mas não faça movimentos bruscos!". A sede do BOPE que ficava nas Laranjeiras (Zona Sul do Rio) vai mudar até o final de 2010 para as antigas instalações do 24º Batalhão de Infantaria Blindada do Exército, situado na Avenida Almirante Frontin, em Ramos (Zona Norte do Rio). Com a mudança, o quartel-general ficará instalado numa região próxima de três complexos de favelas: Maré, Penha e Alemão. Para o comando do BOPE, a transferência é estratégica, pois vai facilitar o patrulhamento de vias expressas como Linha Vermelha, Linha Amarela e Avenida Brasil e ampliar a segurança para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016. Segundo informações, além do BOPE, o Grupamento Aéreo Marítimo (GAM) e a Companhia de Cães também serão instalados no local.

História

A primeira idéia de criação de uma Companhia de Operações Especiais na PMERJ surgiu no ano de 1971, quando era Comandante Geral da Corporação o General de Brigada Oswaldo Ferraro de Carvalho, que ficou sensibilizado com a idéia, não sendo, porém, concretizada.
Posteriormente, no comando do General de Brigada Adyr Fiúza de Castro, foi criado o DESTACAMENTO DE ATIVIDADES ESPECIAIS (DAE), mais tarde transformado em BPAE e hoje 16º BPM (Olaria). O DAE não era constituído de Policiais Militares Especializados, portanto, seus integrantes não possuíam o preparo técnico e tático inerente ao homem de Operações Especiais.
No dia 12 de Janeiro de l978, quando a Corporação era comandada pelo Coronel do Exército Mario Sotero de Menezes, o Capitão PM Paulo César Amêndola de Souza iniciou uma exposição oral ao Comandante Geral com a seguinte afirmação:
"A Policia Militar tem necessidade de uma tropa de elite, tecnicamente mais preparada e adaptada a todos os tipos de ações que lhe sejam exigidos", propondo a criação de uma companhia de Operações Especiais na PM.

Policial do BOPE plenamente equipado, armado com um fuzil M4 Colt e pistola 9 milímetros. O BOPE está preparando tanto para operações em morros quanto para missões de resgate de reféns e antiterrorismo.
Assim nasceu em 19 de Janeiro de 1978 o Núcleo da Companhia de Operações Especiais (NuCOE), com a finalidade de dotar a PMERJ de um órgão operacional que reunisse Oficiais e Praças voluntários, para que, através de muito treinamento e dedicação, formassem um grupamento altamente especializado e com elevado preparo técnico, tático e psicológico. Funcionando em áreas físicas do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP) - 31 de Voluntários, a quem era subordinado administrativamente, ficou alojado na então Escola de Formação de Oficiais (EsFO).
Pelo Boletim da PM n° 86, de 10 de maio de 1978, permanece em Instalações físicas do CFAP, mas subordinado administrativamente ao antigo Batalhão de Policia de Atividades Especiais (BPAE), seu efetivo arranchado e alojado na EsFO e, operacionalmente subordinada ao Chefe do Estado-Maior Geral da PMERJ.
Pelo Boletim da PM n° 165, de 12 de novembro de 1979, passa a ser arranchado e aquartelado no CFAP, mantendo a subordinação administrativa ao BPAE e operacionalmente ao Chefe do Estado-Maior Geral. Posteriormente, ocupa no CFAP as instalações do antigo Centro de Educação Física e Desportos (CEFO) da PM, atual Núcleo de Recarga da Policia Militar.
Em abril de 1981 passa a ocupar parte das instalações físicas do Núcleo do 22° BPM (Benfica), a quem subordina-se administrativamente e mantém a vinculação operacional ao Chefe do Estado-Maior Geral.
No Boletim da PM n° 33, de 07 de abril de 1982, o NuCOE passa a funcionar nas instalações do BPChq, sob o comando do Coronel PM Danilo Rodrigues de Barros, como uma de suas companhias orgânicas (1° Cia), recebendo a designação de Companhia de Operações Especiais (COE) do BPChq, onde a instrução e o serviço específico da COE não deveriam sofrer solução de continuidade, podendo seus integrantes, todavia, serem utilizados em apoio à instrução do BPChq e seu material, equipamento e armamento passam a fazer parte da carga do BPChq.

Em 27 de junho de 1984, através da publicação em Boletim da PM n° 120, a COE do BPChq passou a ser novamente denominada Núcleo da Companhia de Operações Especiais (NuCOE), funcionando nas instalações físicas do Regimento Marechal Caetano de Farias, ficando subordinado apenas administrativamente ao BPChq, retornando sua subordinação operacional ao Chefe do Estado-Maior Geral da PMERJ.

Quanto a suas atribuições, o emprego do Núcleo da Cia de Operações Especiais foi regulamentado em publicação no Boletim da PM n° 86, de 10 de maio de 1978, onde delineava o emprego em operações policiais militares não convencionais, em missões de contraguerrilha urbana ou rural e, na condução de missões que venham a exigir, além de pessoal altamente especializado e com grande preparo técnico, tático e psicológico, o emprego de armamento e equipamentos Especiais, não devendo ser empregado em quaisquer modalidades de policiamento ostensivo preventivo e em missões de rotina policial militar.

Pelo Decreto Lei nº 11.094, de 23 de Março de 1988, foi criada a Companhia Independente de Operações Especiais - CIOE, com suas missões próprias em todo o Estado do Rio de Janeiro, que seriam determinadas pelo Comandante Geral.

Foi também em 1988, que o BOPE começou a ganhar fama. Os bandidos dos morros cariocas, que ganhavam muito dinheiro com a venda de cocaína, usavam o lucro para comprar armas contrabandeadas pesadas, que nem existiam aqui, como metralhadores e fuzis-AR-15. A polícia “normal” não conseguia vencer a guerra e os traficantes ganhavam força. Aí, chamaram os homens das Operações Especiais, que estrearam fazendo uma operação na favela da Rocinha, onde duas gangues rivais de traficantes brigavam pelo controle das “bocas de fumo” (locais onde os bandidos vendem drogas). Os homens da Operações Especiais foram lá e resolveram a questão. A partir daí não parou mais. Hoje trabalha 24 horas por dia e a missão mais comum e “subir o morro”, entrar em favelas, onde constantemente trocam tiros com marginais.
Finalmente, pelo Decreto nº 16.374, de 01 de Março de 1991, deu-se a criação do Batalhão de Operações Policiais Especiais - BOPE, ficando extinta a CIOE. Trata-se, pois, de uma Unidade Especial, constituída de Policiais Militares voluntários, dotados de elevado preparo técnico, tático e psicológico e equipada com os recursos indispensáveis para atuação em quaisquer operações não rotineiras de caráter policial militar. A missão do Batalhão de Operações Policiais Especiais é desenvolver Operações Especiais de Policia Militar.
Em 2000 ganhou instalações próprias, localizadas no Morro do Pereirão, no bairro de Laranjeiras, na zona sul da capital fluminense. Atualmente o emprego do BOPE em situações criticas ou missões especiais está regulado pela nota de instrução n°004/02 – EMG, estando a unidade subordinada administrativamente e operacionalmente ao Estado-Maior Geral da Corporação (Bol da PM n° 090 de 18 de maio de 2007).

O que é Operação Especial de Polícia Militar?

É toda Operação executada pelo BOPE, no Campo de Segurança Pública: caracterizada pelo desenvolvimento de ações, com objetivos específicos, para fazer frente a ocorrências que situem além da capacidade de ação das Unidades Operacionais da PMERJ, exigindo o emprego da tropa armada, equipada e especialmente treinada.

Como exemplo temos:

1 - Combate ao crime organizado, visando a captura ou neutralização de seus agentes;
2 - Captura de delinqüentes, fortemente armados e entrincheirados;
3 - Resgate de pessoas mantidas reféns;
4 - Atuação nas rebeliões de presos e estabelecimentos prisionais e nas unidades concentradoras de presos;
5 - Apoio às atividades específicas de Defesa Civil;
6 - Apoio às Operações Policiais Militares em favelas em que quadrilhas organizadas estão posicionadas e fortemente armadas,
7 - Execução de Operações Especiais de Polícia, por longo período de tempo, em áreas urbanas ou rurais, em terrenos montanhosos ou pantanosos, em zonas ribeirinhas ou costeiras;
8 - Execução de Operações helitransportadas, em missões como: Salvamento, localização de marginais entrincheirados em favelas, perseguições aéreas e similares;
9 - Apoio ao Departamento do Sistema Penitenciário (DESIPE) nas escoltas de presos de alta periculosidade;
10 - Execução de missões no Campo da Contraguerrilha Urbana e/ou Rural.

Estrutura Operacional

A partir do convênio celebrado entre o Governo Federal e o Estado do Rio de Janeiro, publicado em Diário Oficial da União, o BOPE participou ativamente de todas as Operações Militares desencadeadas em nosso Estado pelas Forças Armadas, tendo sido sua participação elogiada por todas as Corporações Militares e reconhecida como fundamental para o êxito das operações.

Atualmente, de acordo com Resolução da Secretaria de Segurança Pública nº 13, de 30 de janeiro de 1995, o BOPE está subordinado ao Comando das Unidades Operacionais Especiais (Cmdo UopE), constituindo-se em reserva tática para pronto emprego do Comandante Geral da Corporação.

Tropa do Grupo de Resgate e Retomada (GRR), que é a unidade de intervenção tática do BOPE. Esses homens são especialista em ações de resgate de reféns e contra-terrorismo. Eles estão com coletes à prova de bala, fuzis Colt e pistolas 9 milímetros.
O BOPE é uma Unidade que busca em todas as missões superar-se, pois conta com homens voluntários dedicados, tecnicamente preparados e imbuídos do propósito de bem servir.

Após o seqüestro do ônibus o BOPE se especializou no regate de reféns e até 2009, 224 reféns foram resgatados com vida. Hoje o BOPE possui o GRR (Grupo de Resgate e Retomada), composto de policiais que treinam situações de resgate de reféns e outras atividades afins, contando inclusive com o apoio de atiradores sniper, que podem abater à distância um elemento que represente risco ao refém por exemplo. Nos Jogos Pan-Americanos, quarenta policiais do GRR trabalharam em conjunto com outros quarenta agentes federais na Unidade Contra-Terrorismo.

O BOPE tem 400 homens e 4 Companhias: Alfa, Bravo, Charlie, Delta. Cada uma delas tem quatro equipes com 32 militares cada, divididas em quatro frações de 8 homens. Existem ainda unidades de apoio, como a equipe de negociação, equipe anti-bombas, blindados e veículos especiais e o grupo de atires de precisão. Existe ainda o QG e o setor de inteligência.

Símbolo

O símbolo do BOPE-RJ é uma caveira. É o crânio de um esqueleto, com um punhal que a atravessa de cima para baixo e que tem, ainda, cravada em suas laterais, duas pistolas douradas. Significa, para eles, a vitória rápida (da faca) sobre a morte (a caveira). O lema da unidade: Vitoria sobre a morte.

Para o Tenente-Coronel Pinheiro Neto que serviu no BOPE, os símbolos significam: Crânio: sabedoria;
Faca: O caráter de quem faz o ousar a sua conduta; Pistolas: O símbolo da Policia Militar; Os ramos de louro: representam a vitória sobre a morte.

Como ingressar

Para fazer parte do BOPE é preciso ser policial militar concursado no Estado do Rio de Janeiro, ser voluntário para ingressar em um dos dois cursos do BOPE, o CAT ou o COESP, mas para isso o interessado deverá acompanhar a publicação das Normas Reguladoras e do Calendário Anual de Cursos, cuja publicação é feita no Boletim Ostensivo da PMRJ, pela Diretoria de Ensino e Instrução, o que ocorre, geralmente, no início de cada ano letivo.

· Ser Policial Militar, há no mínimo 2 anos;

· Estar enquadrado em bom comportamento;

· Passar por exame médico;

· Passar por exame médico;

· Passar por exame psicológico;

São oferecidas duas modalidades de curso para os membros do BOPE, de acordo com as duas atribuições da unidade.

Cursos do BOPE

Para ser um dos homens do BOPE é preciso passar uma temporada no inferno. Isto acontece no Curso de Operações Especiais (COEsp), com duração de três a seis meses, visando preparar o policial para intervenções em áreas de conflito e ao resgate de reféns. Este curso é reconhecido nacionalmente por todos os Órgãos de Segurança Pública, como sendo um dos cursos de maior responsabilidade ao nível de Comandos, capaz de possibilitar a seus Oficiais e Praças concludentes, executar e planejar missões especiais que venham a exigir elevado preparo técnico e psicológico, com vistas à atuação dirigida para as ações no Campo da Segurança Pública. Ele é oferecido para Oficiais e Praças da PMERJ, mas também oferece vagas para Oficiais e Praças de todos os Estados do Brasil que solicitarem, já tendo formado operações Especiais para: as Polícias Militares de Estados do Pará, Espírito Santo, Amapá, Mato Grosso, Paraíba, Bahia, Maranhão, Santa Catarina, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Alagoas, Sergipe, Distrito Federal e inclusive para os integrantes das Forças Armadas, Polícia Civil e Carabineiros do Chile.

A dureza do treinamento não é à toa. Formar-se ‘caveira’ significa atingir o mais completo nível na área de segurança pública. No currículo, constam aulas de gerenciamento de situações de risco, mergulho, rapel, negociação de reféns, montanhismo, sobrevivência, técnicas especiais de tiro, explosivos, combate corpo a corpo e em áreas de alto risco, entre outras modalidades. Cada curso é preparado com dois anos de antecedência. A estrutura conta com 80 PMs se revezando nas instruções.

Alunos, os "aspiras", do Curso de Operações Especiais (COEsp), Antes do treinamento, recrutas passam por uma série de palestras para se ambientar ao que está por vir. Eles recebem informações sobre os exercícios e até como organizar as contas e a rotina da família durante os seis meses de ausência.

Durante duas semanas, os alunos dormem no máximo duas horas por dia. Acostumam-se a levar socos e tapas na cara e comem uma mistura de arroz, feijão, carne e massa jogada no chão. Os alunos também fazem provas escritas no escuro e em ônibus em movimento, tratam feridas com sal e passam madrugadas na água fria de uma represa. Como num ritual de iniciação de uma tribo de índios ou de uma seita religiosa, esses dias darão ao aluno outro comportamento, uma nova concepção de mundo e até outra forma de enxergar a si próprio.

Toda polícia de elite tem cursos específicos para seus novos integrantes. Geralmente duram de um a dois meses e formam policiais especializados em negociação com seqüestradores, resgate de reféns, desarmamento de bombas ou tiro de precisão.


O "Cemitério" dos aspiras mortos: quem não passa no curso deposita lá seu número de guerra. Os ‘caveiras’ gostam de espalhar a lenda de que as ‘almas’ de quem partiu ficam vagando pelo vale de Ribeirão das Lajes, até que o policial passe no curso e a resgate. “O aluno passa por um ritual de desligamento não para ser humilhado, mas para carregar dentro dele a vontade de querer voltar e fazer o seu melhor”, explicou o capitão Marcelo Corbage. As sensações são ainda mais intensas para quem volta para casa sem a missão cumprida. Os ex-alunos passam por entrevista e acompanhamento psicológico oferecido pelo Bope, para diminuir a frustração.

 
As três badaladas fúnebres no sino representam a ‘morte’ do aluno. É o fim da linha no Curso de Operações Especiais para quem não aguentara o rigoroso treinamento ou não se sai bem nas avaliações. O ritual de quem deixa o acampamento é cercado de simbolismo, como um funeral de verdade. Em um pequeno cemitério, o ex-recruta deposita a lápide com o número de guerra. À frente dos túmulos, uma placa dispensa explicações: “Aqui jazem os fracos”.

No Rio de Janeiro, também é assim: o Curso de Ações Táticas (CAT), e que tem duração de cinco semanas, e é uma síntese do curso de operações especiais, foi criado justamente após a trapalhada do BOPE durante o seqüestro do ônibus 174, em junho de 2000, quando o seqüestrador e uma refém acabaram mortos. Só que, enquanto os batalhões de elite do resto do Brasil e do mundo param nas operações com reféns, no Rio, o domínio dos morros por traficantes exigiu policiais ainda mais especializados. No Curso de Operações Especiais (Coesp), que dura até 5 meses, eles passam por um treinamento que a principio foi inspirado nas técnicas de combate a guerrilhas que o Exército usou nos conflitos do Araguaia, na década de 1970, além das táticas de fuzileiros navais das Marinhas brasileira e americana. “O que potencializou o treinamento do BOPE foi juntar técnicas de guerra para as operações urbanas nas favelas”, afirma Paulo Storani, secretário municipal de Segurança de São Gonçalo (RJ), ex-capitão do BOPE e um dos criadores do Coesp. Recentemente houve uma mudança de filosofia, segundo o tenente-coronel Paulo Henrique Azevedo de Moraes muita coisa mudou no COEsp nos últimos anos: “Tinha muitos reflexos da filosofia do Exército, de uma época linha-dura. Mudamos o planejamento, aumentamos o nível de conhecimento dos instrutores. Fomos buscar intercâmbio com outras forças para oferecer o que há de melhor. Temos que estar sempre um passo à frente para que o serviço prestado à população tenha qualidade máxima”.

Em 2006, de 34 inscritos, apenas 11 conseguiram se formar. Noventa por cento dos que abandonaram caíram nos 15 primeiros dias. Esse período, apelidado de Semana do Inferno, começa com uma aula inaugural em que o aluno passa por uma longa seção de tapas e socos. Depois, mesmo encharcado e com frio, o policial tem de seguir nos exercícios, que podem durar até 3 horas dentro da água. Às vezes isso acaba em tragédia: em 2003, um tenente morreu vítima de afogamento após sofrer hipotermia. Também andam horas a cavalo a ponto de ficarem com as nádegas e as pernas cheias de bolhas e feridas. Para que os ferimentos não inflamem eles sentam em bacias com água e sal grosso (salmora). Dizem que dói tanto que muitos chegam a desmaiar.

O braçal, o uniforme e a boina preta são motivos de orgulho dos policiais militares do BOPE
Para o BOPE, as surras servem para duas coisas. Primeiro, dissuadir soldados pouco determinados. “A Semana do Inferno visa separar o joio do trigo”, diz o tenente-coronel Alberto Pinheiro Neto, que foi comandante do batalhão. Segundo, para que eles percam noções de hierarquia, conforto e humilhação, mantendo a sobriedade em situações- limite. A experiência de dar ou levar um soco na cara deixa de ter o significado que tem para pessoas comuns. “No curso, a auto-estima passa a valer mais que o sono e a alimentação”, diz o ex-capitão do BOPE Rodrigo Pimentel, um dos autores do livro Elite da Tropa, que inspirou o filme Tropa de Elite.
Mas a rigidez tem um efeito colateral – estimular a violência desmedida. Talvez por isso haja tantas denúncias de torturas cometidas pelo Bope (veja na página 66). E não são só ongs de direitos humanos que pensam assim. “O treino deve ser rigoroso, mas dar tapa na cara e ofender só serve para satisfazer instrutores sádicos”, diz David Ribeiro, ex-coronel da PM de São Paulo e hoje um psicólogo que estuda a mente dos policiais.

Talvez a truculência do curso possa ser explicada pelos rituais de iniciação descritos pela antropologia. Se índios pintam o corpo, os aspirantes têm o cabelo raspado e mudam de nome (passam a se chamados por números: 01, 02, etc.). “Esse é o processo de separação, em que eles perdem a identidade antiga e iniciam um período de conquista de uma nova identidade para si próprios”, diz Paulo Storani, autor de uma dissertação de mestrado sobre a construção da identidade do policial do BOPE.

Depois de deixar os costumes antigos, vem a hora de aprender um novo jeito de ser. Os alunos passam por uma jornada de aulas técnicas, quando aprendem montanhismo, mergulho e, claro, aulas de tiro em movimento, em favelas montadas com lona. “Nessa fase, o aluno também recebe os novos valores que vão identificá-lo como policial de elite, como as canções do batalhão e o jeito de falar”, diz Storani.

Com o fim do curso, o policial enfim tem direito a vestir a farda e a boina pretas e o braçal – motivo de orgulho. “Não dá para traduzir como a boina preta e o braçal são importantes para nós”, diz um policial da Rota de São Paulo, que também adota um uniforme assim. No BOPE, outro símbolo de identidade é o emblema da faca na caveira. Pode parecer infantil e estranho um grupo criado para assegurar a paz ter uma caveira como símbolo. Mas ela faz todo sentido para eles. Significa a ação vitoriosa e rápida (da faca) sobre a morte (a caveira). O símbolo também os diferencia na hora mais importante: o ataque.

Os membros do BOPE são profissionais extremamente bem preparados e prontos para operarem nos morros cariocas, considerados um dos cenários mais difíceis de lutar pois são densamente povoados, repletos de becos e vielas e o inimigo, fortemente armado, combate descaracterizado em meio a população civil.
Os homens que fazem o curso e aspiram uma vaga no BOPE são avaliados, durante os treinamentos, em onze critérios:

• Controle emocional

• Flexibilidade

• Agressividade controlada

• Disciplina consciente

• Espírito de corpo

• Iniciativa

• Honestidade

• Liderança

• Lealdade

• Versatilidade

• Perseverança

Estágios

Há vários estágios como o Estágio de Técnicas de Abordagens para Oficiais da Corporação, co-irmãs e de polícias estrangeiras; Estágio de Conduta de Patrulha em Áreas de Alto Risco para alunos do Curso de Formação de Oficiais da PMERJ; Estágios de Operações Especiais; Estágios de Prevenção e Repressão a Roubo em Edifícios e Residências; Estágio de Atirador de Escol; Estágio de Segurança de Dignitários para a Câmara Municipal do Rio; Palestras para o Programa Especial de Esforço contra Seqüestros, Estágio de Técnicas Especiais de abordagens para a Polícia Militar do Estado de Pernambuco e Ações Táticas para integrantes da Corporação e também para as Polícias Militares de outros Estados.

Treinamento constante

Além dos cursos COEsp e CAT, e dos estágios, os homens do BOPE estão constantemente buscando se aperfeiçoar inclusive com intercambio com outras outras unidades, inclusive estrangeiras. Segundo o tenente-coronel Paulo Henrique Azevedo Moraes o BOPE não vive na ilusão de que é a melhor unidade policial do mundo por isso a busca por informações com outras pessoas que dominam outras áreas. Para isso a unidade está se preparando para que os homens tenham um conhecimento básico de inglês, francês e, principalmente, espanhol.

Equipamentos e Armas

A estrutura física do campo de batalha urbano afeta a utilização de armas e seus calibres, e no caso do Rio de Janeiro, este é um fator agravante, já que se luta uma guerra não declarada contra um inimigo interno por uma força de segurança pública e não militar. Pela sua regra de engajamento a polícia legitimada pelo Estado não está podendo responder com a mesma intensidade e poder de fogo que é recebida pelos traficantes. Em parte, pelo veto do Exército à aquisição de armas de calibre mais pesado como a Ponto 50, necessária à destruição das fortificações construídas pelos bandidos. Para frear a aproximação dos policiais, os traficantes têm reforçado paredes e varandas com concreto, colocando seteiras como pontos de tiros, o que justifica a necessidade de armas de maior calibre. O BOPE em suas ações utiliza basicamente os fuzis dos calibres 5,56 mm e 7,62 mm, além de carros blindados e helicópteros.

O Caveirão

A PMERJ se tornou referência por empregar efetivamente um veículo blindado no combate urbano no Brasil. O “caveirão” como é chamado, é uma mistura de carro-forte com ônibus blindado. Longe de ser satisfatório, é a única forma de prover segurança à tropa que patrulha as áreas conflagradas, ou em missões de resgate de policiais feridos. Oficialmente esse veículo é chamado de Veículo Blindado de Transporte de Pessoal, mas popularmente é conhecido mesmo como"Caveirão". Os veículos foram adquiridos em 2004 para ser usados contra o crime organizado nas operações realizadas nas favelas. Nesses locais a polícia costuma ser alvo fácil, pois do alto dos morros tem-se uma visão privilegiada de quem entra. Por isso, usar um veículo seguro é vital.

Os blindados têm cerca de 3 metros de altura, 5,6 metros de comprimento, e a capacidade para uma guarnição de 11 homens. Além do motorista e do que vai no banco ao lado, um fica em pé logo atrás desses dois, na torre. Ocupam o restante do veículo mais oito homens, sempre sentados: quatro virados para a lateral esquerda, quatro para a direita. O chassi utilizado nos veículos antigos era o mesmo encontrado no caminhão Ford Cargo 815, considerado inadequado por especialistas, uma vez que o peso do veículo, com a guarnição completa e armada, superava as 8 toneladas de peso bruto (o mesmo que uma baleia orca) para a qual o chassi foi projetado. Mesmo assim, pode alcançar uma velocidade de 120 km/h. Na verdade, o Caveirão é um carro-forte, como os que transportam dinheiro de bancos, adaptado para abrigar as tropas do BOPE.

Diferente do que a maioria das pessoas pensam, ele não é um carro de combate, ele é um carro de apoio. A principal finalidade dos veículos blindados é proteger a vida dos elementos da guarnição e romper as barreiras físicas utilizadas pelo narcotráfico. Os blindados são essenciais ainda no apoio ao resgate de unidades policiais encurraladas e na remoção de feridos dos cenários de confronto. . Apesar de ser criticado por entidades de Direitos Humanos, o Caveirão é defendido pelas polícias como medida de segurança aos policiais. De acordo com estimativas da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, o uso desses veículos blindados reduziu pela metade o número de mortes entre os policiais nas operações contra os narcotraficantes.


A blindagem do veículo "Caveirão" suporta fortes disparos, como os de fuzil 7.62, de submetralhadoras e de algumas metralhadoras. Entre as rodas e os pneus do veículo é instalado um anel, como se fosse outra roda, feita de aço reforçado. Essa blindagem propicia mais tempo caso seja necessária uma fuga. Mesmo se os pneus forem atingidos por tiros, o Caveirão consegue rodar cerca de 20 km, a uma velocidade de 80 km/h. A carroceria é totalmente blindada com chapas de balístico (um aço especial) e mantas de aramida. Entre os vidros há películas de substâncias bem resistentes, como polivinil butiral, policarbonato e poliuretano. Além disso, escudos de aço são baixados sobre o pára-brisa quando se está sob tiroteio. Mas como qualquer veículo blindado, não pode ficar tranqüilamente sob fogo contínuo. Mesmo com toda a proteção que ele oferece, os policiais precisam agir rápido, antes que as avarias sejam tantas que as balas comecem a entrar.



O Caveirão em corte

O Caveirão não possui armas acopladas. Os policiais atiram através de 20 seteiras, buracos protegidos por portinholas. O cano das armas se move cerca de 50 graus para cima e para baixo. Mas, como é difícil atirar com precisão,os policiais recebem treinamento para só disparar na hora H.

Os policiais atiram através de 20 seteiras, buracos protegidos por portinholas. O cano das armas se move cerca de 50 graus para cima e para baixo.
Nas favelas do Rio, os narcotraficantes têm cavado fossos e colocado obstáculos de concreto, trilhos de trem e pedras para impossibilitar a entrada do Caveirão. A exemplo das condições operacionais enfrentadas pelas tropas da ONU no Haiti, o BOPE teve que incorporar uma máquina escavadeira para fazer a desobstrução das vias para que os blindados pudessem passar: é a engenharia de combate sendo utilizada pela primeira vez em ações policiais no Brasil.

Os veículos se caracterizam por sua pintura preta, pelo logotipo do Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar (BOPE), que apresenta uma caveira com uma adaga encravada e garruchas douradas cruzadas (daí o apelido), e pelo uso de alto-falantes que avisam a chegada do blindado. Seu uso é razão de extrema controvérsia entre setores da sociedade.

De um lado, defende-se a continuidade das operações, e mesmo sua ampliação, em razão do papel que teriam para trazer segurança aos agentes da lei. De outro lado, defende-se a abolição imediata das operações, pois as incursões seriam violadoras massivas de direitos humanos segundo estudiosos dos direitos humanos.

Veículos policiais especiais usados para intervenções nos guetos, foram inicialmente utilizados na África do Sul, entre 1948 e 1994, pelo regime do Apartheid. Esse tipo de veiculo é costumeiramente usado em países como os EUA para enfrentar bandidos fortemente armados, com os quais uma blindagem comum ou mesmo a falta dessa poderia vir a ocasionar lesões graves a policiais. Seguindo o mesmo preceito, é usado nas favelas da cidade do Rio de Janeiro devido ao armamento usado pelos traficantes: fuzis, granadas e armas antiaéreas.

Em 2010, a Polícia do Rio de Janeiro está se preparando para uma nova geração de Caveirões, menores e mais ágeis.

Além desses veículos a Unidade de Demolição do BOPE conta com pá mecânica, retroescavadeira, caminhões e trator de esteira, apelidados de "transformers". Essa é uma linha de veículos especialmente encomendados para destruir barricadas do tráfico nas favelas. Antes o BOPE usava equipamentos emprestados, que nem sempre estavam disponíveis e, caso houvesse danos, era preciso arcar com os custos.

Galeria de veículos do BOPE:
Um "transformer" usa um rompedor para quebrar obstáculos colocados pelo trafico.

Um dos "transformers" do BOPE em operação sobe um morro. A cabine é blindada e tem ar-condicionado.

O BOPE usa também veículos leves, como pick-ups, para rápidos deslocamentos
Um Trailer é usado para apoio das operações
Apesar de não ter seus próprios helicópteros o BOPE tem capacidade de realizar operações helitransportadas usando para isso helicópteros da PMERJ ou da Polícia Civil.


Caminhão Munck do BOPE que pode facilitar o acesso dos caveiras a locais elevados como janelas de prédios.



Armamento individual

No próximo Post

Fontes: