Guerra é uma disputa violenta entre dois ou mais grupos distintos de indivíduos mais ou menos organizados. A guerra pode ocorrer entre países ou entre grupos menores como tribos ou facções dentro do mesmo país. Em ambos os casos, pode-se ter a oposição dos grupos rivais isoladamente ou em conjunto. Neste último caso, tem-se a formação de aliança(s).
domingo, 17 de maio de 2009
Sites sobre jogos voltados aos temas da primeira e segunda guerras mundiais.
Navy Field - Autor: Stephano Ramos
Descrição: Este é o site do jogo Navy Field. Trata-se de um jogo de estratégia naval online, em tempo real, ambientado na 2ª Guerra Mundial.
- = T C H E = - - Autor: Vitor "HaRaMiZ" Souza
Descrição: Clan de Battlefield 1942.
1 st Brazilian Fighter Squadron - Autor: Julio Cesar e outros
Descrição: É um site dedicado ao Primeiro Grupo de Caça que lutou na WWII no front da Italia. Reproduzimos os confrontos no simulador IL-2 Sturmovik da UBI Soft. Preservamos a historia da nossa aviaçao de caça da WWII, principalmente reproduzindo texturas historicas do famoso P47D
Battlefield Central - Autor: indicado por Marcelo Kufi Küfner
Descrição: Site que congrega os jogadores brasileiros do Battlefield 1942.
Battlefront - Autor: Indicado por Tiago Constantino
Descrição: Site em que se pode fazer downloads de jogos de estratégia, do tipo "Combat missiom: beyond overlord".
Brazilian Clan - Autor: K1LL1nG
Descrição: Site do clan Brazilian Clan do jogo Call of Duty 2 e Call of Duty United Offensive. ! MaiS QuE UM ClaN! UmA FamiliA!
Clan Circulo de Fogo =CF= - Autor: =CF=Dark_RS
Descrição: Clan brasileiro do jogo Medal of Honor Allied Assault.
Clan KRAS de MOHAAS - Autor: Kras
Descrição: Site do clan Kras do jogo Medal Of Honor Allied Assault SpearHead
Clan Method Of Destruction - Autor: Casanova
Descrição: Um clan formado não apenas por jogadores e sim por uma grande familia.
Cockpit News - Autor: Fabiano
Descrição: O Seu jornal On-Line de Simuladores de vôo de combate! Jogos, Dicas e informações sobre WWII e Aviação. Atualizado regularmente.
Frango Atiradores - Autor: Ian Sierra
Descrição: Site dedicado ao popular jogo Medalha de Honra.
Guerra Mundial - Autor: cabelinhu
Descrição: Jogo do tipo Web-Based baseado em fatos da Guerra. Você comanda um impérios, suas tropas e seus setores e tem o objetivo de destruir os impérios inimigos e se tornar o melhor império!
Hey Boys Clan - Site Oficial - Autor: Bussarello - Membro Oficial
Descrição: Site oficial de um clan de Medal of Honor Allied Assault™ Não é somente um Clan, e sim uma familia... "A Nossa maior luta é pela conquista da amizade."
PanzerDivision - Real Time Strategy Games - Autor: Ricardo F. A. Vianna
Descrição: Fan site de um dos melhores jogos de RTS - Blitzkrieg e Sudden Strike. Com aspectos comerciais como, por exemplo: T-Shirts com temas militares.
Saints Or Soldiers :: Clan - Autor: Vinicius
Descrição: Fórum de discussão sobre o jogo Call of Duty 2. O clan está atualmente recebendo novos membros.
SDF CLAN SH - Autor: SDF
Descrição: site do clan SOLDADOS DE FORÇA do jogo medal of honor spearhead.
Sentai Kamikaze Brasil - Autor: SK_FlashBack
Descrição: Grupo aéreo virtual da segunda guerra mundial, simulando em IL2 FB + AEP + PF, voando pelas forças do eixo, honrando o Império Japonês, comandante Hamasaki, sub. c. Ronin. Nosso site possui dados técnicos, fotos e informações gerais sobre a IJNAF e seu braço aéreo da JAAF no conflito da 2ºGM.
The Blitzkrieges - BF1942 - Autor: Victor L.
Descrição: Site do jogo BattleField 1942
UMGC: União Mega Gamers Clan - Autor: Gustavo Licks Henke
Descrição: Site do clã de Call of Duty 2 União Mega Gamers Clan. Site em Update, aguarde...
VF-1 - Autor: Marco Antonio Aulette
Descrição: Site sobre o esquadrão virtual VF-1 (combatendo na arena virtual Warbirds-FHR e IL-2 Forgotten Battles), criado em homenagem ao esquadrão homônimo da Marinha do Brasil. Contém informações, notícias e links relacionados à aviação.
War machine - Autor: Shion Apolo
Descrição: Site de Clã de BF1942. Somos na maioria de Caxias do Sul, RS, mas temos jogadores de vários lugares do país em nossa equipe.
[AMI] - BF Team - Autor: RivolTa
Descrição: Equipe do jogo BattleField 1942, inspirado na 2ªGM. Para maiores detalhes e organização, em nosso site.
SoH - Soldiers of Honor - Autor: SoHZacca
Descrição: Site do Clan SoH - Soldiers of Honor. Um clan de Medal of Honor Spearhead, e Call of Duty 2.
Guerra do Iraque

Após os atentados de 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos entraram em alerta contra seus possíveis inimigos. Empreenderam uma guerra contra os afegãos derrubando o governo talebã, mas não conseguiram capturar o terrorista Osama Bin Laden. Paralelamente, o presidente George W. Bush criou a Lei Antiterrorismo, pela qual o Estado teria o direito de prender estrangeiros sem acusação prévia e violar determinadas liberdades individuais.Nesse mesmo período, o governo norte-americano conseguiu a liberação de fundos do orçamento para o investimento em armas, no valor de 370 bilhões de dólares. Com o passar do tempo, o fracasso na captura de Bin Laden direcionou atenção do governo norte-americano contra outros possíveis inimigos dos EUA. O chamado “eixo do mal” teria como alvos principais alguns países como Irã, Coréia do Norte e Iraque. Este último, comandado por Saddam Hussein, foi o primeiro a ser investigado pelos EUA. No ano de 2002, o presidente George W. Bush iniciou uma forte campanha contra as ações militares do governo iraquiano. Em diversas ocasiões, denunciou a presença de armas de destruição em massa que poderiam colocar em risco os Estados Unidos e seus demais aliados. Após denunciar a produção de armas químicas e biológicas no Iraque, os EUA conseguiram que uma delegação de inspetores das Nações Unidas investigasse o estoque de armamentos controlados por Saddam Hussein.Em fevereiro de 2003, os delgados da ONU chegaram à conclusão que não havia nenhum tipo de arma de destruição em massa no Iraque. Contudo, contrariando a declaração do Conselho de Segurança da ONU, o presidente George W. Bush formou uma coalizão militar contra os iraquianos. No dia 20 de março de 2003, contando com o apoio de tropas britânicas, italianas, espanholas e australianas, os EUA deram início à guerra do Iraque com um intenso bombardeio.Em pouco tempo, a força de coalizão conseguiu derrubar o governo de Saddam Hussein e instituir um governo de natureza provisória. Em dezembro de 2003, o governo estadunidense declarou sua vitória contra as ameaçadoras forças iraquianas com a captura do ditador Saddam Hussein. A vitória, apesar de “redimir” as frustradas tentativas de se encontrar Bin Laden, estabeleceu um grande incômodo político na medida em que os EUA não encontraram as tais armas químicas e biológicas.Passados alguns meses, a população iraquiana foi levada às urnas para que escolhessem figuras políticas incumbidas de criar uma nova constituição para o país. Passadas as apurações uma nova carta foi criada para o país e o curdo Jalal Talabani foi escolhido como presidente do país. Em um primeiro momento, tais episódios indicariam o restabelecimento da soberania política do país e o fim do processo de ocupação das tropas norte-americanas.No entanto, o cenário político iraquiano esteve longe de uma estabilização. Os grupos políticos internos, sobretudo dominados por facções xiitas e sunitas, se enfrentam em vários conflitos civis. Ao longo desses anos de ocupação, os Estados Unidos vem empreendendo uma batalha que não parece ter fim, pois as ações terroristas contra suas tropas continuam ocorrendo. Em 2008, com o fim da era George W. Bush existe uma grande expectativa sobre o fim da presença militar dos EUA no Iraque.
Shimon Peres aprova declarações do rei da Jordânia sobre a paz
O presidente israelita, Shimon Peres, mostrou-se "muito animado" neste domingo com as declarações do rei Abdullah II da Jordânia, por ter referido a possibilidade de 57 países reconhecerem Israel no marco de uma paz entre os árabes e os israelitas.
"Sua majestade o rei referiu-se a 57 países envolvidos na paz (...), acredito que este posicionamento é muito animador e vem num bom momento", disse Peres, durante o Fórum Económico Mundial.
O rei Abdullah disse sábado em entrevista à AFP que "57 países não reconhecem Israel, ou seja, a terça parte dos países membros da ONU, e a razão é que a ocupação continua e falta um acordo de paz".
O rei pediu uma "retirada de todos os territórios ocupados palestino, sírio e libanês, em contrapartida de relações normais com todos os países árabes".
Peres indicou por sua vez que as divergências diminuíram entre os negociadores palestinos e israelitas e podem ser superadas se forem acrescentadas algumas "ideias novas". Peres vai encontrar -se com o rei Abdullah da Jordânia.
"Sua majestade o rei referiu-se a 57 países envolvidos na paz (...), acredito que este posicionamento é muito animador e vem num bom momento", disse Peres, durante o Fórum Económico Mundial.
O rei Abdullah disse sábado em entrevista à AFP que "57 países não reconhecem Israel, ou seja, a terça parte dos países membros da ONU, e a razão é que a ocupação continua e falta um acordo de paz".
O rei pediu uma "retirada de todos os territórios ocupados palestino, sírio e libanês, em contrapartida de relações normais com todos os países árabes".
Peres indicou por sua vez que as divergências diminuíram entre os negociadores palestinos e israelitas e podem ser superadas se forem acrescentadas algumas "ideias novas". Peres vai encontrar -se com o rei Abdullah da Jordânia.
SAPO/AFP
Guerrilha decide depor armas para acabar com combates
A guerilha Tamil anunciou no domingo que decidiu depor as armas para acabar com os combates com as tropas do Sri Lanka no nordeste da ilha
«Só nos resta uma opção: eliminar a última débil desculpa do inimigo para matar o nosso povo. Decidimos calar as nossas armas», afirmou, em comunicado, o chefe das relações internacionais da guerrilha dos Tigres da Libertação Tamil.
A nota da guerrilha Tamil foi colocada na página da Internet 'TamilNet'.
O responsável anunciou igualmente que nas últimas 24 horas 3000 civis tamiles morreram e outros 25 000 ficaram feridos e precisam de assistência médica.
«É o nosso povo que está a morrer por causa das bombas, dos ataques, das doenças e da fome. Não podemos permitir que sofram mais», acrescentou o líder da guerrilha.
O exército cingalês já tinha anunciado o resgate de todos os civis (50 000) que os Tigres de Libertação Tamil tinham como reféns no nordeste da ilha.
«Temos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para deter esta carnificina. Se isso significa calar as nossas armas e entrar num processo de paz, isso é algo a que já demos o nosso acordo», sublinhou.
Sábado, o Exército reivindicou ter tomado a última franja de território sob controlo dos rebeldes, cercados agora em menos de um quilómetro quadrado de terra sem saída para o mar.
De acordo com dados da Nações Unidas, 7000 civis foram mortos e 16 700 feridos entre 20 de Janeiro e 07 de Maio.
A nota da guerrilha Tamil foi colocada na página da Internet 'TamilNet'.
O responsável anunciou igualmente que nas últimas 24 horas 3000 civis tamiles morreram e outros 25 000 ficaram feridos e precisam de assistência médica.
«É o nosso povo que está a morrer por causa das bombas, dos ataques, das doenças e da fome. Não podemos permitir que sofram mais», acrescentou o líder da guerrilha.
O exército cingalês já tinha anunciado o resgate de todos os civis (50 000) que os Tigres de Libertação Tamil tinham como reféns no nordeste da ilha.
«Temos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para deter esta carnificina. Se isso significa calar as nossas armas e entrar num processo de paz, isso é algo a que já demos o nosso acordo», sublinhou.
Sábado, o Exército reivindicou ter tomado a última franja de território sob controlo dos rebeldes, cercados agora em menos de um quilómetro quadrado de terra sem saída para o mar.
De acordo com dados da Nações Unidas, 7000 civis foram mortos e 16 700 feridos entre 20 de Janeiro e 07 de Maio.
Lusa/SOL
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
1832 - Federação do Guanais
A Federação do Guanais foi uma revolução nativista ocorrida na Bahia, no ano de 1832.
Raízes do Movimento
Existia na Bahia um sólido desejo autonomista e republicano, presentes ainda no século XVIII, com a Conjuração Baiana. A partir deste movimento inicial, o ideário voltou a eclodir em revoltas e serviu de mote para congregar o povo da Bahia na luta pela Independência que, no Estado, iniciou-se antes mesmo da proclamação oficial, em 1822, e terminando somente a 2 de julho de 23.
A situação do Brasil, após a sua emancipação, continuava indefinida, com várias correntes de ideais almejando maiores transformações, agravadas sobretudo pela solução encontrada com a abdicação de D. Pedro I em favor de seu filho, ainda menor.
No Recôncavo Baiano fervilhavam os conciliábulos, as associações de cunho secreto projetavam levantes e revoltas, que a Corte combatia através da promoção de eventuais líderes a postos no interior remoto. Durante a Regência Trina Permanente, vários movimentos revoltosos e revolucionários ocorreram (Classificados, na historiografia, sob o título genérico de “Movimentos Nativistas”), e um deles veio finalmente a eclodir na Bahia, em 1832.
Uma breve República
A partir da Vila de São Félix, no Recôncavo Baiano, Bernardo Miguel Guanais Mineiro chefiou um violento movimento federalista que, em fevereiro de 1832, chegou a estabelecer um governo provisório.
Nove anos depois da Guerra de Independência da Bahia, as idéias republicanas e emancipacionistas que motivaram o povo baiano à luta fizeram os revolucionários que era a hora de mudar o regime, então conturbado pela indefinição de como seria o Governo, ausente o Imperador.
Adotaram uma bandeira de três palas: branca, azul e branca.
Apesar do apoio que receberam por parte dos proprietários, ainda tomados pelo forte sentimento federalista, suas forças não puderam fazer frente à resistência do poder constituído.
A reação do governo foi capitaneada pelo Visconde de Pirajá. Após três dias de lutas, os revoltosos se rendem e seu chefe, Guanais Mineiro, é mandado preso para o Forte do Mar – verdadeiro bastião de forma circular erguido numa ilha artificial para a defesa do porto de Salvador.
Em 1833, Guanais Mineiro consegue sublevar a fortificação onde estava confinado e, dali, bombardeia Salvador – foi o “canto do cisne” deste chefe revolucionário que, dali, foi mandado para o sertão baiano onde, longe das inflamações da capital, encerrou seus dias, deixando grande descendência.
O sentimento republicanoApesar do fracasso desta iniciativa, os ideais republicanos continuariam vivos no povo baiano. Eclodiu, novamente, com a Sabinada e veio a ganhar corpo no final do 2º Reinado, sob os auspícios de líderes baianos como Rui Barbosa, Cezar Zama e muitos outros, até eclodir finalmente na Proclamação de 1889.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
1832 - Guerra dos Dois Irmãos
A chamada Guerra dos Dois Irmãos é o capítulo da história do Império Inca que precede o seu epílogo com a conquista espanhola por Francisco Pizarro.
Tratou-se de uma guerra de sucessão travada entre os dois filhos do inca Huayna Capac, iniciada cerca de cinco anos após a sua morte.
Premissas da guerra
A versão mais corrente das razões primordiais desta guerra é de que Huayna Capac teria dividido o Império Inca entre seus dois filhos, em duas porções a saber�: uma maior, com sede em Cusco abrangendo os territórios ao Sul, que foi atribuida a Huascar junto com o título de Imperador (Supa inca), e outra, menor, com sede em Quito abrangendo os territórios do norte, que coube a Atahualpa por serem terras de sua mãe, uma princesa de Quito.
Nesta primeira tese raciocina-se que, afora a cupidez pelo poder, Huascar não tinha como conquistar terras mais ao sul enquanto que Atahualpa tinha futuro promissor em relação ao norte, decorrendo daí a pretensão de Huascar, que herdara o título de Supa Inca, em submeter Atahualpa, única forma de majorar seus domínios.
Entretanto historiadores de renome confutam esta versão como lenda romântica, afirmando que ao contrário de ser filho de uma princesa do norte (Quito), Atahualpa procedia também de Cusco e era filho de Huayna com uma ilustre concubina e que, em função disto, o pai o havia feito viver em Quito desde os doze anos de idade, outorgando-lhe lá importante função administrativa e o comando de um exército de cerca de 12.000 homens.
Ambas as correntes aceitam entretanto que, de fato, o título de imperador coube a Huascar, e aceitam também como fato histórico verdadeiro, a interpelação que Huascar teria feito a Atahualpa para que este viesse a Cusco prestar-lhe obediência e vassalagem.
A primeira e tradicional corrente narra que diante da interpelação, Atahualpa dissimulou obediência e vindo até próximo a Cusco, e descobertos seus planos, iniciou a agressão.
A segunda corrente afirma que Atahualpa de fato submeteu-se mas que, tendo se demorado e enviando uma comitiva a preceder-lhe, soube que esta foi brutalmente trucidada porque Huascar teria cedido aos rumores de rebelião, e prevendo igual fim, não teve alternativa senão de fato rebelar-se e partir para a ofensiva.
De qualquer forma, a guerra foi movida pelos herdeiros diretos do império e visava a obtenção de todo o poder sobre o Tawantinsuyu.
1828 - Guerras Liberais em Portugal
Guerras Liberais em Portugal
A Guerra Civil Portuguesa (1830-1834) ocorre no quadro da Crise de Sucessão ao Trono Português (1826-1834) que opôs o partido cartista, constitucionalista, ou liberal, liderado pelo ex-imperador D. Pedro I do Brasil, e ex-rei D. Pedro IV de Portugal, auto-proclamado regente do Reino em nome de sua filha a princesa do Grão-Pará, D. Maria da Glória de Bragança, depois D. Maria II, rainha de Portugal e o partido tradicionalista, legitimista, ou absolutista, encabeçado por D. Miguel I, rei de Portugal. Em causa estava a vontade de transformação de Portugal numa monarquia constitucional, o que se opunha aos princípios vigentes do legitimismo ou tradicionalismo, a que os liberais chamavam de absolutismo.
Ao morrer envenenado por arsénico (1), em 1825, D. João VI rei de Portugal, foi forjada uma carta (1) supostamente assinada pelo rei, (envenenamento, e carta, estudadas e documentadas definitivamente, nos últimos anos, cientificamente) cuja morte foi mantida em segredo no Paço durante alguns dias, com a cumplicidade do seu médico assistente, a fim de dar tempo aos preparativos políticos desejados pelos regicidas. Nesta carta apócrifa o rei indicaria como seu sucessor o seu filho D. Pedro, imperador do Brasil, e nomeava Regente do reino a Infanta D. Isabel Maria, até D. Pedro indicar as providências que tomaria a respeito da sucessão. Na realidade, nunca nenhum rei de Portugal teria poderes para designar sucessor, sem a anuência e o juramento desse sucessor pelas Cortes gerais da Nação, conforme estava estipulado no Direito Constitucional Português, e sempre cumprido desde as Cortes de 1641. Previa este direito que, no caso de um Príncipe português casar com o herdeiro de outro trono, passassem os direitos ao trono português para o seu irmão imediata, desde que este mantivesse a nacionalidade portuguesa, o que era o caso de D. Miguel, e não o de D. Pedro. Enviado um navio ao Rio de Janeiro a comunicar esta notícia, com a ordem ilegal e falsificada, ao imperador do Brasil, foi esse navio lusitano canhoneado, ao querer entrar na barra do porto carioca, tendo dificuldade em explicar ao que ia, tal a animosidade que ainda reinava entre os brasileiros, apesar da paz assinada no ano anterior. D. Pedro, a quem a notícia colheu de chofre, e a quem a Constituição brasileira impedia, aliás tal como a portuguesa, de juntar duas coroas, ordenou ao seu secretário a redacção de uma Carta Constitucional, que este redigiu no breve espaço de uma noite, enquanto o imperador compunha e musicava um Hino para Portugal, o chamado Hino da Carta. Colocado entre a escolha de uma coroa e outra, escolheu a brasileira, e, sem consulta a Portugal nem respeitando as Leis Fundamentais do Reino, "abdicou" condicionalmente dos seus direitos em sua filha, quando o não podia fazer tendo um filho, e optando definitivamente pela nacionalidade estrangeira, senão como sinal de tirania e despotismo, contra todas as leis de Portugal e seus foros, que aliás nunca chegou a jurar, tendo sido por esse facto um rei "de facto", mas não "de jure"; e sossegando os brasileiros, por um lado, com esta cessão dos seus direitos, continuaria reinando em Portugal até se cumprirem as condições estipuladas nessa abdicação condicionada.
As relações de D. João VI com os seus dois filhos homens, eram complicadas. D. Pedro, o seu primogénito e herdeiro antes de 1822, tinha sido afastado na sequência dos eventos de 7 de Setembro de 1822 que levaram à independência do Brasil. Com D. Miguel, a relação não era mais fácil, visto que o infante já se tinha revoltado antes, a primeira vez a favor da restauração dos direitos tradicionais do pai, sendo recompensado por isso pelo soberano, e a segunda, contra a vontade deste, no mesmo sentido, a fim de afastar os elementos liberais do Governo de D. João VI, o que ocasionara o seu exílio, em prisão dourada, na corte de Viena de Áustria, ao cuidado de Metternich.
De início o partido tradicionalista levou a melhor e a causa constitucional parecia perdida. D. Miguel I procurou obter reconhecimento internacional, e embora reconhecido pela Santa Sé, pela Espanha, e pelos Estados Unidos, e tendo até 1830 a simpatia da França e da Inglaterra, a deposição do reaccionário Carlos X de França, e a saida do poder em Inglaterra do conservador Duque de Wellington, por outro, impediram que estes dois paises, os mais importantes no Ociente europeu, o reconhecessem. Para isso contribuiu também a acção diplomática de Metternich, cujo soberano era sogro de D. Pedro, e pugnava por sentar a sua neta, Habsburgo por sua mãe, no trono de Lisboa.
Entretanto em 1831 o estadista José Bonifácio obrigou o imperador D. Pedro I, acusado de excesso de autoritarismo, a abdicar da coroa do Brasil no filho D. Pedro II do Brasil. Vendo-se obrigado a viajar para a Europa, este instala-se entre Paris e Londres, aonde os novos regimes saidos da Revolução de 1830 lhe podiam ser favoráveis, e utilizando o oiro brasileiro devido a Portugal pelo tratado de paz luso-brasileiro de 1826, reune um exército de portugueses emigrados, e de mercenários estrangeiros, que embarca numa frota a fim de conquistar uma posição em território português, dando assim início à Guerra Civil. viajar para Portugal para lidar com a situação. Conquistada a fortíssima posição militar e naval de Angra, nos Açores, por essa armada, D. Pedro partirá depois daí, mais tarde, para invadir o Continente português, o que ocorrerá a norte do Porto, na Praia dos Ladrões, depois rebaptizada de praia do Mindelo, aonde actualmente se encontra o grande monumento aos mortos da Guerra Civil, em forma de obelisco colocado junto ao mar, nas rochas do desembarque.
Seguidamente, as forças pedristas desembarcadas entrincheiraram-se dentro dos muros da Cidade Invicta, dando os miguelistas inicio ao duro e prolongado Cerco do Porto. Finalmente, conseguindo furar o bloqueio naval da barra do Douro, uma frota rompeu e seguiu até ao Algarve, aonde desembarcou uma divisão do Exército invasor que avançou para Lisboa rapidamente, protegido pela esquadra inglesa. Lisboa foi entregue ao comandante-chefe liberal, marechal Duque da Terceira, sem combate nem resistência, pelo Duque de Cadaval, antigo primeiro-ministro do rei D. Miguel, em 24 de Julho de 1833.
A guerra continuou no entanto a marchas forçadas, dolorosas, pelo Ribatejo fora, estando já a Família Real em Santarém, aonde morre nessa altura de peste a infanta D. Maria da Assunção de Portugal, irmã dos dois príncipes inimigos; ali perto se dará a definitiva batalha da Asseiceira, ganha pelos cartistas, finda a qual, o que restava do Exército se retirou para o Alentejo, onde D. Miguel se viu forçado a aceitar a Concessão de Évora-Monte, embarcando em Sines para o exílio, a bordo de uma nave de guerra inglesa.
D. Maria da Glória, a princesa do Grão-Pará, que entretanto se encontrava ao abrigo da corte de Londres, junto a sua prima a rainha Vitória, pode finalmente chegar a Portugal, nesse ano de 1834, e, estando o vencedor da guerra, D. Pedro, tuberculoso e com pouca esperança de vida, houve que emancipar rapidamente a jovem princesa, de 15 anos de idade, jurando finalmente a Carta Constitucional, e subindo enfim ao trono de Portugal, pela declaração da sua maioridade em Cortes, e cessação da regência que em seu nome o pai exercia desde o ano de 1830.
A Guerra Civil Portuguesa (1830-1834) ocorre no quadro da Crise de Sucessão ao Trono Português (1826-1834) que opôs o partido cartista, constitucionalista, ou liberal, liderado pelo ex-imperador D. Pedro I do Brasil, e ex-rei D. Pedro IV de Portugal, auto-proclamado regente do Reino em nome de sua filha a princesa do Grão-Pará, D. Maria da Glória de Bragança, depois D. Maria II, rainha de Portugal e o partido tradicionalista, legitimista, ou absolutista, encabeçado por D. Miguel I, rei de Portugal. Em causa estava a vontade de transformação de Portugal numa monarquia constitucional, o que se opunha aos princípios vigentes do legitimismo ou tradicionalismo, a que os liberais chamavam de absolutismo.
Ao morrer envenenado por arsénico (1), em 1825, D. João VI rei de Portugal, foi forjada uma carta (1) supostamente assinada pelo rei, (envenenamento, e carta, estudadas e documentadas definitivamente, nos últimos anos, cientificamente) cuja morte foi mantida em segredo no Paço durante alguns dias, com a cumplicidade do seu médico assistente, a fim de dar tempo aos preparativos políticos desejados pelos regicidas. Nesta carta apócrifa o rei indicaria como seu sucessor o seu filho D. Pedro, imperador do Brasil, e nomeava Regente do reino a Infanta D. Isabel Maria, até D. Pedro indicar as providências que tomaria a respeito da sucessão. Na realidade, nunca nenhum rei de Portugal teria poderes para designar sucessor, sem a anuência e o juramento desse sucessor pelas Cortes gerais da Nação, conforme estava estipulado no Direito Constitucional Português, e sempre cumprido desde as Cortes de 1641. Previa este direito que, no caso de um Príncipe português casar com o herdeiro de outro trono, passassem os direitos ao trono português para o seu irmão imediata, desde que este mantivesse a nacionalidade portuguesa, o que era o caso de D. Miguel, e não o de D. Pedro. Enviado um navio ao Rio de Janeiro a comunicar esta notícia, com a ordem ilegal e falsificada, ao imperador do Brasil, foi esse navio lusitano canhoneado, ao querer entrar na barra do porto carioca, tendo dificuldade em explicar ao que ia, tal a animosidade que ainda reinava entre os brasileiros, apesar da paz assinada no ano anterior. D. Pedro, a quem a notícia colheu de chofre, e a quem a Constituição brasileira impedia, aliás tal como a portuguesa, de juntar duas coroas, ordenou ao seu secretário a redacção de uma Carta Constitucional, que este redigiu no breve espaço de uma noite, enquanto o imperador compunha e musicava um Hino para Portugal, o chamado Hino da Carta. Colocado entre a escolha de uma coroa e outra, escolheu a brasileira, e, sem consulta a Portugal nem respeitando as Leis Fundamentais do Reino, "abdicou" condicionalmente dos seus direitos em sua filha, quando o não podia fazer tendo um filho, e optando definitivamente pela nacionalidade estrangeira, senão como sinal de tirania e despotismo, contra todas as leis de Portugal e seus foros, que aliás nunca chegou a jurar, tendo sido por esse facto um rei "de facto", mas não "de jure"; e sossegando os brasileiros, por um lado, com esta cessão dos seus direitos, continuaria reinando em Portugal até se cumprirem as condições estipuladas nessa abdicação condicionada.
As relações de D. João VI com os seus dois filhos homens, eram complicadas. D. Pedro, o seu primogénito e herdeiro antes de 1822, tinha sido afastado na sequência dos eventos de 7 de Setembro de 1822 que levaram à independência do Brasil. Com D. Miguel, a relação não era mais fácil, visto que o infante já se tinha revoltado antes, a primeira vez a favor da restauração dos direitos tradicionais do pai, sendo recompensado por isso pelo soberano, e a segunda, contra a vontade deste, no mesmo sentido, a fim de afastar os elementos liberais do Governo de D. João VI, o que ocasionara o seu exílio, em prisão dourada, na corte de Viena de Áustria, ao cuidado de Metternich.
De início o partido tradicionalista levou a melhor e a causa constitucional parecia perdida. D. Miguel I procurou obter reconhecimento internacional, e embora reconhecido pela Santa Sé, pela Espanha, e pelos Estados Unidos, e tendo até 1830 a simpatia da França e da Inglaterra, a deposição do reaccionário Carlos X de França, e a saida do poder em Inglaterra do conservador Duque de Wellington, por outro, impediram que estes dois paises, os mais importantes no Ociente europeu, o reconhecessem. Para isso contribuiu também a acção diplomática de Metternich, cujo soberano era sogro de D. Pedro, e pugnava por sentar a sua neta, Habsburgo por sua mãe, no trono de Lisboa.
Entretanto em 1831 o estadista José Bonifácio obrigou o imperador D. Pedro I, acusado de excesso de autoritarismo, a abdicar da coroa do Brasil no filho D. Pedro II do Brasil. Vendo-se obrigado a viajar para a Europa, este instala-se entre Paris e Londres, aonde os novos regimes saidos da Revolução de 1830 lhe podiam ser favoráveis, e utilizando o oiro brasileiro devido a Portugal pelo tratado de paz luso-brasileiro de 1826, reune um exército de portugueses emigrados, e de mercenários estrangeiros, que embarca numa frota a fim de conquistar uma posição em território português, dando assim início à Guerra Civil. viajar para Portugal para lidar com a situação. Conquistada a fortíssima posição militar e naval de Angra, nos Açores, por essa armada, D. Pedro partirá depois daí, mais tarde, para invadir o Continente português, o que ocorrerá a norte do Porto, na Praia dos Ladrões, depois rebaptizada de praia do Mindelo, aonde actualmente se encontra o grande monumento aos mortos da Guerra Civil, em forma de obelisco colocado junto ao mar, nas rochas do desembarque.
Seguidamente, as forças pedristas desembarcadas entrincheiraram-se dentro dos muros da Cidade Invicta, dando os miguelistas inicio ao duro e prolongado Cerco do Porto. Finalmente, conseguindo furar o bloqueio naval da barra do Douro, uma frota rompeu e seguiu até ao Algarve, aonde desembarcou uma divisão do Exército invasor que avançou para Lisboa rapidamente, protegido pela esquadra inglesa. Lisboa foi entregue ao comandante-chefe liberal, marechal Duque da Terceira, sem combate nem resistência, pelo Duque de Cadaval, antigo primeiro-ministro do rei D. Miguel, em 24 de Julho de 1833.
A guerra continuou no entanto a marchas forçadas, dolorosas, pelo Ribatejo fora, estando já a Família Real em Santarém, aonde morre nessa altura de peste a infanta D. Maria da Assunção de Portugal, irmã dos dois príncipes inimigos; ali perto se dará a definitiva batalha da Asseiceira, ganha pelos cartistas, finda a qual, o que restava do Exército se retirou para o Alentejo, onde D. Miguel se viu forçado a aceitar a Concessão de Évora-Monte, embarcando em Sines para o exílio, a bordo de uma nave de guerra inglesa.
D. Maria da Glória, a princesa do Grão-Pará, que entretanto se encontrava ao abrigo da corte de Londres, junto a sua prima a rainha Vitória, pode finalmente chegar a Portugal, nesse ano de 1834, e, estando o vencedor da guerra, D. Pedro, tuberculoso e com pouca esperança de vida, houve que emancipar rapidamente a jovem princesa, de 15 anos de idade, jurando finalmente a Carta Constitucional, e subindo enfim ao trono de Portugal, pela declaração da sua maioridade em Cortes, e cessação da regência que em seu nome o pai exercia desde o ano de 1830.
1828 - Revolta dos Mercenários
Revolta dos Mercenários
A Revolta dos Mercenários constitui-se numa sublevação militar ocorrida no Brasil, sob o governo de D. Pedro I (1822-1831).
Episódio pouco conhecido na História do Brasil, inscreve-se no contexto da guerra contra as Províncias Unidas do Rio da Prata (1825-1828), da qual resultou a independência da República Oriental do Uruguai (27 de Agosto de 1828).
Em junho de 1828, por três dias, a população da Corte (a cidade do Rio de Janeiro) viveu sobressaltada pela sublevação de três batalhões estrangeiros que serviam ao Império do Brasil desde a independência (1822).
Reprimida a sedição com o auxílio da população, os batalhões de tropas de mercenários foram dissolvidos e a maior parte de seus integrantes, deportada. Ao que tudo indica, a revolta deveu-se ao não cumprimento, por parte da coroa, de pagamento aos mercenários, conforme acordado.
Sergio Corrêa da Costa, em seu livro, Brasil, segredo de Estado, associa tal revolta a um complô envolvendo Manoel Dorrego, governador de Buenos Aires, e os alemães Federico Bauer e Antonio Martín Thym, cujo objetivo visava sequestrar e mesmo matar Pedro I, bem como a independência de Santa Catarina (pp. 17-39).
1825 - Guerra da Cisplatina
Guerra da Cisplatina
A Guerra da Cisplatina ou Campanha da Cisplatina foi um conflito ocorrido entre Brasil e Argentina no período de 1825 a 1828 pela posse da atual República Oriental do Uruguai.
Antecedentes
O termo cisplatina indica a região denominada Banda Oriental do Rio da Prata, que hoje constitui o Uruguai, e que desde os tempos do Tratado de Madri, vinha sendo disputada, primeiramente, por espanhois e portugueses, e depois, por argentinos e brasileiros.
Território argentino até 1821, ele é incorporado ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves por Dom João VI com o nome de Província Cisplatina. A anexação é justificada pelos direitos hereditários que sua esposa, a Princesa Carlota Joaquina, teria sob a região. Após a conquista do território em 1816 pelo general português Carlos Frederico Lecor, comandante dos Voluntários do Principe Regente, é desenvolvida uma inteligente política de ocupação, com as Escolas Mútuas do Método Lancaster e o apoio das elites Orientais. Localizado na entrada do estuário do Rio da Prata, a Banda Oriental é estratégica, já que quem a controla tem grande domínio sobre a navegação em todo o rio.
O Conflito
A Guerra da Cisplatina ou Campanha da Cisplatina foi um conflito ocorrido entre Brasil e Argentina no período de 1825 a 1828 pela posse da atual República Oriental do Uruguai.
Antecedentes
O termo cisplatina indica a região denominada Banda Oriental do Rio da Prata, que hoje constitui o Uruguai, e que desde os tempos do Tratado de Madri, vinha sendo disputada, primeiramente, por espanhois e portugueses, e depois, por argentinos e brasileiros.
Território argentino até 1821, ele é incorporado ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves por Dom João VI com o nome de Província Cisplatina. A anexação é justificada pelos direitos hereditários que sua esposa, a Princesa Carlota Joaquina, teria sob a região. Após a conquista do território em 1816 pelo general português Carlos Frederico Lecor, comandante dos Voluntários do Principe Regente, é desenvolvida uma inteligente política de ocupação, com as Escolas Mútuas do Método Lancaster e o apoio das elites Orientais. Localizado na entrada do estuário do Rio da Prata, a Banda Oriental é estratégica, já que quem a controla tem grande domínio sobre a navegação em todo o rio.
O Conflito
Com pretenções de anexar a Banda Oriental ou Cisplatina (antigos nomes do Uruguai) a Confederação das Províncias Unidas do Prata, a Confederação Argentina incentiva os patriotas uruguaios, liderados por Juan Antonio Lavalleja por meio de apoio político e suprimentos a se levantarem contra a dominação brasileira na região.
O conflito se originou em 1825, quando líderes separatistas uruguaios, como Fructuoso Rivera e Lavalleja, proclamaram a independência da região. Lavalleja desembarcou na Cisplatina com sua tropa e com o apoio da população declarou a incorporação da Banda Oriental do Uruguai à s Províncias Unidas do Rio da Prata, atual Argentina. A resposta do governo imperial do Brasil foi a declaração de guerra à Argentina.
Um exército argentino atravessou o rio da Prata, fazendo sua base em Durazno, e o movimento iniciou-se com a invasão do território brasileiro pelo general Carlos María de Alvear (1826). O visconde de Barbacena, comandando as tropas imperiais, chocou-se com os argentinos na batalha de Ituzaingó.
O imperador Dom Pedro I envia esquadra naval para bloquear o estuário do rio da Prata, assim como os portos de Buenos Aires. A Argentina revida, atacando o litoral gaúcho. Contudo, a pressão naval brasileira consegue, com o tempo, estrangular o comércio argentino.
Dom Pedro I inicia a ofensiva terrestre a partir do final de 1826, por meio da reunião de tropas no sul do Brasil. Suas tropas são formadas, em sua maioria, por voluntários e por algumas unidades de mercenários europeus.
A dificuldade de D. Pedro I em reunir forças para o combate se deve em grande parte ao fato de seu governo estar enfrentando na mesma época várias rebeliões populares e levantes militares nas províncias do recém-independente Brasil (inclusive na capital Rio de Janeiro )
A falta de tropas atrasa em muito a capacidade de responder ao apoio de Buenos Aires ao levante no sul (por volta de 1826 o apoio argentino não é mais somente político e logístico, já há convocação de tropas para lutar contra o império).
A guerra é marcada por diversos pequenos encontros e escaramuças de grupos armados de ambos os lados. estes encontros em nada contribuíram para o impasse político e militar.
Somente as batalhas de Sarandi e Passo do Rosário foram encontros militares de maior vulto. Em ambos, o exército imperial foi derrotado. Contudo, graças a falta de recursos humanos e logísticos de Argentina e Uruguai para explorarem estas vitórias, elas foram de pouco proveito.
A guerra prosseguiu, por terra e mar, com vantagem para as forças imperiais, que derrotaram as forças republicanas na batalha decisiva de Monte Santiago (1827).
Na primeira metade do ano seguinte, dado o impasse em terra, o bloqueio naval brasileiro, os altos custos para os belingerantes da continuação da guerra, a pressão britânica para que um acordo fosse firmado, além da precariedade militar e política dos países beligerantes, , a paz começou a ser negociada, com a mediação da França e da Grã-Bretanha. O Império do Brasil e a República das Províncias Unidas do Rio da Prata, por uma convenção preliminar de paz, assinada no Rio de Janeiro, renunciaram à s suas conquistas e reconheceram como Estado independente a Banda Oriental do Uruguai, que passou a se chamar República Oriental do Uruguai.
A Derrota
A perda da Cisplatina foi mais um motivo para o crescimento da insatisfação com o governo de Dom Pedro I. Na realidade, a guerra era impopular desde o início, pois para muitos brasileiros representava aumento de impostos para o financiamento de mais uma guerra.
Quando o Brasil assinou o acordo pela independência da região, muitos utilizaram isto como argumento para tornar ainda mais impopular o governo, alegando que o imperador havia depauperado os cofres públicos e sacrificado a população por uma causa perdida. Entretanto, a Guerra da Cisplatina não foi o motivo da abdicação do imperador em 1831. Ela se insere dentro de outros que concorreram para sua queda; entre eles, sem dúvida, seu estilo centralizador de governar foi o principal.
terça-feira, 15 de julho de 2008
1824 - Confederação do Equador
Confederação do Equador
A Confederação do Equador foi um movimento revolucionário, de caráter emancipacionista e republicano, ocorrido em 1824 no Nordeste do Brasil.
Foi a principal reação contra a tendência absolutista e a política centralizadora do governo de D. Pedro I (1822-1831), esboçadas na Carta Outorgada de 1824, a primeira Constituição do país.
O centro irradiador e a liderança da revolta couberam à então Província de Pernambuco, que já havia se rebelado em 1817 (ver Revolução Pernambucana de 1817) e que enfrentava dificuldades econômicas. Além da crise, a província se ressentia ao pagar elevadas taxas para o Império, que justificava essas taxas como necessárias para levar adiante as guerras provinciais pós-independência (algumas províncias resistiam à separação de Portugal).
Pernambuco esperava que a primeira constituição do Império seria do tipo federalista, e daria autonomia para as províncias resolveram suas questões. No entanto, Dom Pedro dissolveu a assembléia constituinte em 1823 e outorgou uma constituição no ano seguinte, extremamente centralizadora. O gérmen da revolta se plantou, e os jornais - notadamente o Tífis Pernambucano, dirigido pelo Frei Caneca - criticavam dura e abertamente o governo imperial. Vários ex-revoltosos, anistiados em 1821, novamente conspiravam.
Em julho de 1824 a revolta estourou no Recife. O estopim fora a prisão de Manuel de Carvalho Pais de Andrade, que fora eleito chefe provisório de uma junta de governo. Pais de Andrade se recusou a empossar o governador enviado por Dom Pedro I; o imperador, após estourar a revolta, tentou conciliar-se com os pernambucanos, trocando o nome do governador nomeado, mas não adiantou.
Os revoltosos enviaram emissários para as demais províncias do Nordeste (então Norte) do país. Conseguiram apoio do Ceará, do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Formou-se assim a Confederação do Equador propriamente dita, que pretendia organizar um país independente do Brasil — embora essa não fosse a intenção de muitos dos revoltosos.
Surgiram algumas dissidências internas no movimento, pois ele agregava classes sociais díspares. A proposta de Pais de Andrade no sentido de libertar os escravos e o exemplo haitiano (país que recentemente se libertara do domínio francês através de uma revolta popular) não tranqüilizavam as elites, e alguns proprietários de terras passaram a colaborar com o governo imperial.
Dom Pedro I enviou para o Nordeste tropas contratadas no exterior, sob o comando de Thomas Cochrane. Em Setembro, caíram três províncias, só restando o Ceará, que não suportou além de Novembro. Alguns líderes confederados, resistiram no Sertão, até Dezembro.
Vários rebeldes foram condenados por um tribunal militar à forca. Um fato interessante que passou para a história (embora seja discutível) foi a recusa dos carrascos em executar o Frei Caneca, mentor intelectual da revolta e uma das figuras mais carismáticas do Recife à época, que se escondeu por alguns dias no município de Abreu e Lima a época "Vila de Maricota" antes de fugir para o Ceará. O religioso acabou sendo fuzilado, ao contrário da sentença inicial que previa o enforcamento.
1822 - Guerra da Independência do Brasil
Guerra da Independência do Brasil
A chamada Guerra da Independência estendeu-se de 1822 a 1823, no contexto do processo de Independência do Brasil, entre 1808 e 1825, quando esta foi formalmente reconhecida por Portugal e pela Grã-Bretanha.
Após a proclamação da independência, às margens do riacho Ipiranga, na então Província de São Paulo, a 7 de Setembro de 1822, as lutas para afirmá-la foram mais encarniçadas nas regiões onde, por razões estratégicas, se registrava maior concentração de tropas do Exército português, a saber, nas então Províncias Cisplatina, da Bahia, do Piauí, do Maranhão e do Grão-Pará.
Recorde-se que a maior parte da oficialidade era de origem portuguesa, enquanto que o grosso da tropa, no Brasil, era brasileira ou luso-descendente.
Desse modo, o governo brasileiro, através do Ministro José Bonifácio de Andrade e Silva, adotou as providências para eliminar a resistência portuguesa. Para esse fim providenciou a compra de armas e navios, o recrutamento de tropas nacionais e o contrato de estrangeiros (mercenários), bem como medidas repressivas como o confisco de bens e a expulsão daqueles que não aceitassem a emancipação política do Brasil. No plano econômico, proibiu-se o comércio, e, no diplomático, autorizou-se a guerra de corso, contra Portugal.

Quadro Independência ou Morte mais conhecido com "O Grito do Ipiranga" de Pedro Américo (óleo sobre tela - 1888)
A campanha na Cisplatina
Na Província Cisplatina, a campanha foi marcada pelo bloqueio a Montevidéu, sob o comando de Carlos Frederico Lecor, barão da Laguna. Isoladas, as tropas do Exército português foram obrigadas a abandonar o território brasileiro.
A campanha na Província da Bahia
Na Província da Bahia, a área tradicionalmente produtora de açúcar e de tabaco do Recôncavo, dominada pelos grandes latifundiários escravistas, desde cedo se manifestara pela causa brasileira, sob a liderança da vila de Cachoeira. A capital da Província, Salvador, então ocupada pelas tropas do Exército português sob o comando de Inácio Madeira de Melo, mantinha os laços com a Metrópole.
Com a divulgação da notícia da proclamação da Independência, as vilas do Recôncavo baiano, sob a liderança da vila de Cachoeira, em cuja Câmara Municipal se instalou um governo interino, mobilizaram-se para expulsar as tropas portuguesas entrincheiradas em Salvador, reforçadas desde os acontecimentos que haviam culminado no Dia do Fico (9 de Janeiro de 1822). Esse processo de reforço de tropas foi marcado por diversos incidentes em Salvador, entre os quais o assassinato, por soldados portugueses, da abadessa do Convento da Lapa, Sóror Joana Angélica de Jesus (19 de Fevereiro).
Para apoiar e reforçar a ação brasileira na região, o governo brasileiro despachou, da Corte, alguns navios sob o comando de Rodrigo de Lamare, conduzindo tropas e suprimentos, inclusive um oficial experimentado nas campanhas napoleônicas, Pedro Labatut. Este efetivo desembarcou em Maceió, nas Alagoas, de onde seguiu, por terra, para a Bahia. Durante a marcha, o contingente foi reforçado por efetivos vindos de Pernambuco, do Rio de Janeiro e do amplo voluntariado que se abrira no Recôncavo.
Entre esses voluntários destacaram-se nomes como os de Maria Quitéria, no Batalhão dos Periquitos, criado pelo avô do poeta Castro Alves - José Antônio da Silva Castro -, assim denominado pelo predomínio da cor verde em sua farda.
De Portugal, foram enviados 2.500 homens para reforçar as tropas de Madeira de Melo. A este efetivo juntaram-se elementos da Divisão Auxiliadora, que se retirava do Rio de Janeiro.
As vitórias brasileiras nas batalhas de Cabrito e de Pirajá (8 de Novembro de 1822), bem como o fracasso na tentativa portuguesa de ocupação da ilha de Itaparica (7 de Janeiro de 1823), tornaram cada vez mais difícil o sustento da posição por parte do Exército português. Diante do bloqueio naval de Salvador, imposto pela esquadra imperial sob o comando de Lord Thomas Cochrane, complementado pelo bloqueio terrestre, que conjugados, impediam o suprimento do efetivo luso, Madeira de Melo foi forçado a capitular, abandonando a cidade (2 de Julho), então ocupada pelas tropas brasileiras. Na ocasião foram aprisionadas várias embarcações de bandeira portuguesa, e os demais perseguidos até à s proximidades de Lisboa.
A campanha no Piauí / Maranhão
Na então Província do Piauí, tradicional produtora de gado, a burguesia comercial e mesmo os proprietários de terras, estavam ligados à Metrópole, inclusive por laços de sangue. Aqui, a adesão à Independência do Brasil foi proclamada na vila de Parnaíba. O interior e a capital, Oeiras, permaneceram sob o controle de tropas do Exército português sob o comando de João Fidié. Mesmo diante do recebimento de reforços vindos da então Província do Ceará, as tropas brasileiras foram inicialmente derrotadas na batalha de Jenipapo (1823). Outras localidades, entretanto, manifestaram a sua adesão à Independência, alcançando a vitória quando Fidié se deslocou para apoiar a resistência portuguesa na vila de Caxias, no Maranhão.
Também na Província do Maranhão, as elites agrícolas e pecuaristas se ligavam à Metrópole. Foi da Junta Governativa da Capital, São Luís, que partiu a iniciativa da repressão ao movimento da Independência no Piauí. Controlava ainda a região produtora do vale do rio Itapicuru, onde o principal centro era a vila de Caxias. Esta foi a localidade escolhida por Fidié para se fortificar após a vitória em Jenipapo, no Piauí, e onde veio a ser cercado pelas tropas brasileiras, compostas por contingentes oriundos do Maranhão, do Piauí e do Ceará, vindo a capitular. São Luís, bloqueada por mar pela esquadra de Lord Thomas Cochrane, foi obrigada a aceitar a Independência.
A campanha no Pará
Na então Província do Grão-Pará, a burguesia comercial e os proprietários de terra também se encontravam profundamente ligados à Metrópole. Aqui, John Grenfell, subordinado a Lord Cochrane, impôs a aceitação da Independência também recorrendo ao bloqueio naval, sob ameaça de bombardear a Capital, Belém (15 de Agosto). Tendo sido eleita uma Junta Governativa (17 de Agosto), explodiu uma violenta reação popular, que obrigou Greenfell a desembarcar tropas e efetuar prisões em massa, visando restabelecer a ordem pública. A 19 de Agosto, sem que houvessem cárceres suficientes em terra, a pedido da Junta, Greenfell autorizou encerrar nos porões do brigue São José Diligente (depois Palhaço), duzentos e cinqüenta e sete detidos, onde todos, menos um (duzentos e cinquenta e seis, menos quatro, em outras fontes) morreram asfixiados.
Embora posteriormente Grenfell tenha se defendido argumentando não ter ordenado o massacre, também nada fez para responsabilizar ou punir os responsáveis.
Os combates da Guerra da Independência serviram como batismo de fogo para o jovem Luís Alves de Lima e Silva, futuro duque de Caxias.
1821 - Independência da Bahia
Independência da Bahia
A Independência da Bahia foi um movimento que iniciou-se ainda em 1821 e teve seu desfecho ao 2 de julho de 1823, motivado pelo sentimento federalista emancipador de seu povo, e que terminou pela inserção na formação da unidade nacional brasileira, durante a Guerra da independência do Brasil.
Agitações na Bahia
Sementes da Luta
Sementes da Luta
Da Conjuração Baiana de 1799 em diante, pode-se afirmar que nesta província, mais até que em Minas Gerais, estava arraigado na gente do povo o sentimento de independência em relação a Portugal. Em Minas o conciliábulo se deu entre as famílias gradas, ao passo que na Bahia gente humilde dela participara ativamente, colando cartazes nas ruas concitando o apoio de todos.
A "Revolução do Porto", em Portugal, no ano de 1820, teve enorme repercussão na Bahia, onde grande era a população daquela região.
Em fevereiro de 1821 uma conspiração de cunho constitucionalista eclode em Salvador. Dela participaram Cipriano Barata, José Pedro de Alcântara, o Capitão João Ribeiro Neves e outros. Preso o comandante, soltos soldados que estavam presos, foi lida uma proclamação que dizia:
"Os nossos irmãos europeus derrotaram o despotismo em Portugal e restabeleceram a boa ordem da nação portuguesa (...) Soldados! A Bahia é nossa pátria e nós não somos menos valorosos que os Cabreiras e Sepúlvedas! Nós somos os salvadores do nosso país; a demora é prejudicial, o despotismo e a traição do Rio de Janeiro maquinam contra nós, não devemos consentir que o Brasil fique nos ferros da escravidão." E conclui: "Viva a constituição e cortes na Bahia e Brasil - Viva El-Rei D. João VI nosso soberano pela constituição. Marcha."
Queriam, como em Portugal, uma constituição que limitasse o poder real. Habilmente, alguns foram adrede convencidos de que a verdadeira luta deveria ser pela manutenção do rei no Brasil, entre eles o futuro Marquês de Barbacena, então Marechal Felisberto Caldeira Brant Pontes que, apesar de brasileiro, comandou a reação do governo, junto ao então coronel Madeira de Melo. Lutas ocorrem, e os revoltosos conquistam a vitória, sendo aclamado ao povo, na Praça da Câmara, o novo estado de coisas. O Governador, Conde da Palma, vai à Câmara e renuncia.
Neste primeiro momento portugueses e brasileiros estavam unidos, e constituíram uma Junta Governativa. Mas a situação não iria durar.
Portugueses x Brasileiros
Com a volta de D. João VI a Portugal, ficando o Regente Pedro no Rio de Janeiro, que uma carta mandava voltar a Portugal, demonstraram claramente aos brasileiros que a antiga metrópole não aceitaria a condição de Reino Unido Brasil e Portugal. Nas tropas, antes unidas no sentimento constitucionalista, a cisão entre portugueses e brasileiros foi-se acentuando. Os ódios foram sendo acirrados, resultando em muitos conflitos parciais e boatos que em 12 de julho de 1821 fizeram os portugueses se reunir no quartel para a defesa de possível ataque dos brasileiros, a quem menosprezavam.
A 12 de novembro de 21 os soldados portugueses saíram pelas ruas de Salvador, atacando os soldados brasileiros, num confronto corporal na Praça da Piedade, com feridos e mortos.
A população temerosa iniciara um êxodo paulatino para os sítios do Recôncavo. O ano termina com as tensões em alta.
A 31 de janeiro de 22 uma nova Junta é eleita e a 11 de fevereiro chega a notícia da nomeação do Brigadeiro Inácio Luís Madeira de Melo como Comandante das Armas da província. Madeira de Melo era o mesmo coronel que apoiara o Conde da Palma, um ano antes. A ordem desta nomeação chega quatro dias depois. Os baianos tinham um comandante que já se declarara contrário aos seus ideais...
Resistência a Madeira de Melo - a Primeira Mártir do Brasil
Formados, na Bahia, os três partidos que seriam o combustível da luta (partidários da colônia; constitucionalistas do Brasil em igualdade de condições e, finalmente, os republicanos - o primeiro exclusivamente de portugueses; o segundo com ambos os povos; o terceiro, quase exclusivo dos brasileiros).
No comando das Armas estava o brigadeiro Manoel Pedro, que fortalecera os nativos já pensando numa refrega. Sua destituição e nomeação de Madeira de Melo foi duro golpe no partido nacional.
A posse de Madeira de Melo foi obstada pelos naturais, alegando ausência de pequenas formalidades - o povo passou a defender o nome de Manoel Pedro. O comandante português busca apoio junto aos comerciantes patrícios, além da Infantaria (12º), da Cavalaria e dos marinheiros. Os baianos contavam com a Legião de Caçadores, a Artilharia e o 1º de Infantaria.
A 18 de fevereiro de 22 reúne-se um conselho de vereadores, juízes e Junta Governativa para dirimir a questão da posse. Como solução foi proposta uma junta militar, sob a presidência de Madeira de Melo. Na prática, era sua vitória sobre os interesses contrários.
As tropas portuguesas estavam de prontidão desde o dia 16, enquanto os marinheiros percorriam as ruas, fazendo provocações - Madeira de Melo fizera constar que, ocorrendo qualquer ameaça à constituição, agiria sem consultar a Junta Militar. Vitorioso, desfila pelas ruas, inspecionando as fortificações, e desafiando as guarnições de maioria nacional. Na madrugada do dia 19 ocorrem os primeiros tiros, no forte de São Pedro, para onde acorrem as tropas portuguesas, vindas do Forte de São Bento. Salvador transforma-se numa praça de guerra, e confrontos violentos ocorrem nas Mercês, Praça da Piedade e Campo da Pólvora.
Apesar da brava defesa, tomam os portugueses o quartel onde se reunia o batalhão 1º da Infantaria. Os marujos lusitanos festejam, desenfreadamente: atacam casas, pessoas e, num gesto covarde, invadem o Convento da Lapa, assassinando sua abadessa, Sóror Joana Angélica.
Fizera-se assim a primeira mártir de uma luta que apenas se iniciava, e que somente ao preço de muito sangue terminaria no 2 de Julho de 23...
Restava tomar o Forte de São Pedro, e Madeira de Melo prepara-se para bombardear a fortaleza - uma das poucas inteiramente em terra, no centro da cidade. No cerco, são atacados nos lados do Garcia. No dia seguinte, o forte se rende, evitando-se mais derramamento de sangue. O Brigadeiro Manoel Pedro é preso e enviado a Lisboa.
No poder, o "Partido português" atemoriza os brasileiros. A 2 de março Madeira de Melo finalmente presta juramento perante a Câmara de Vereadores.
A Guerra
Julho - 1822 - A Bahia conflagrada
Os nativistas ainda morando na capital reagem com pedradas à s ações militares de Madeira de Melo e, na procissão de S. José (21 de março de 1822), os “europeus” foram apedrejados. Madeira de Melo escreveu:
”Então viu-se nesta cidade reunir-se uma multidão de negros a fazer depósitos de pedras em alguns lugares muito públicos, como o Largo do Teatro e ruas adjacentes; tomaram suas posições e logo que apareceu uma procissão que era feita por naturais da Europa, atiraram sobre ela uma infinidade de pedradas (...) Chegada a noite, reuniram-se grandes magotes em diferentes sítios e apedrejaram todos os soldados e mais pessoas que viram ser Europeus (...)”
Respondia pelos interesses dos baianos um jornal, o “Constitucional”, de Francisco Corte Imperial e Francisco Gê Acaiaba de Montezuma (nome adotado, já naquele tempo, e que veio a compor nosso primeiro governo durante as lutas), que dava ampla vazão aos sentimentos da maioria do povo.
A cidade de Salvador assistia à debandada cada dia maior dos moradores, que somente aumentou com a chegada de reforços a Madeira: um navio, dos que levavam tropas do Rio de Janeiro de volta a Portugal, aportou na capital, ali deixando seus soldados.
Consulta às Câmaras
Os deputados baianos na Corte, em Portugal (dentre os quais Pinto da França que chegou a ser enviado por D. João VI para negociar com Madeira de Melo - chegando após o desfecho do conflito), escreveram, perguntando qual a opinião das municipalidades sobre qual a relação da Bahia com a metrópole. Tomando a frente, as vilas de Cachoeira e São Francisco, seguidas pelas demais, manifestam-se favoráveis a que a Bahia passasse para a regência de D. Pedro, no Rio. Havia, por trás destas declarações, nítida vontade de separação de Portugal, a quem já tinham como a figura opressora.
Uma escuna militar é mandada por Madeira para Cachoeira. A vila organiza uma comemoração, com um desfile da cavalaria que marcha pelas ruas, a 25 de junho: a Câmara e o povo aclamam D. Pedro como regente. É celebrado uma missa e, quando o povo desfila, é alvejado por tiros, vindos da casa de um português e da escuna estacionada ao largo. O tiroteio segue por toda a noite e no dia seguinte.
Em Cachoeira constitui-se a “Junta de Defesa”
Reunem-se os partidários “brasileiros” e proclamam uma Junta Conciliatória e de Defesa, para governo da cidade, em sessão permanente, recebendo a adesão de muitos portugueses. Foi constituída uma caixa militar e instaram ao comandante da escuna para que cessasse o ataque, obtendo como resposta uma ameaça.
O povo reage, tem lugar o primeiro combate, pela tomada da embarcação que, cercada por terra e água, resiste até a captura e prisão dos sobreviventes (28 de junho). As vilas do Recôncavo vão aos poucos aderindo a Cachoeira. Salvador torna-se alvo de maiores opressões de Madeira de Melo, e o êxodo ganha intensidade.
As municipalidades se organizam para um combate, treinando tropas, erguendo trincheiras. Pelo sertão vinham as adesões. Posições estratégicas são tomadas nas ilhas, em Pirajá e Cabrito. As hostilidades têm começo e suas notícias se espalham pela Província e pelo restante do país. Itaparica já aderira. Para lá manda Madeira de Melo uma expedição, que chega atirando. O povo foge, engrossando as hostes do recôncavo.
Em Cachoeira é organizado um novo Governo, para comandar a resistência, a 22 de setembro de 1822, sob a presidência de Miguel Calmon do Pin e Almeida, futuro Marquês de Abrantes.
Todos estes movimentos são noticiados ao Imperador. De Portugal 750 soldados são enviados como reforço para a manutenção da Bahia sob o seu domínio que chega em agosto, junto com um reforço enviado pelo Rio, sob o comando do General Labatut – uma tropa formada quase toda por portugueses – já que não existia um exército nacional. Seu desembarque foi obstado na Bahia, indo aportar em Maceió – Alagoas, de onde veio, por terra – conseguindo assim arregimentar mais elementos ao fraco contingente.
As batalhas
Diversas batalhas foram travadas, levando o nome dos lugares onde os combates ocorreram.
Pirajá
Tendo recebido reforços, Madeira de Melo desferiu um grande golpe contra as tropas brasileiras em Pirajá, conduzindo suas forças para a Estradas das Boiadas (queira ver: Liberdade (Salvador)). Assim registrou Tobias Monteiro, em "A elaboração da independência":
A luta foi tremenda, a resistência heróica; mas após quase cinco horas de refregas, acudindo reforços chegados da cidade e para não ver o exército bipartido, os independentes estavam ao ponto de recuar e escolher na retaguarda melhor ponto de defesa.
Já galgavam os atacantes as encostas dos montes, certos de levar de vencida o inimigo, quando ouviram o toque sinistro de avançar cavalaria e degolar. O corneta, a quem o major Barros Falcão, que comandava a ação naquele ponto, dera ordem de tocar retirada, trocara, por conta própria, o toque destinado a anunciar a derrota dos irmãos de armas, pelo do ataque inesperado, donde veio a desordem e o pânico dos portugueses. (vide nota sobre o Corneteiro Lopes)
O estratagem providencial de Luís Lopes, que assim se chamava esse lusitano aderente à causa do Brasil, transformou subitamente a ação. Expantados da presença dessa cavalaria imaginária, com que não contavam, os portugueses estremeceram indecisos e, por fim, recuaram. Sem perda de um momento, prevalecendo-se os brasileiros da situação, ordenaram a carga de baioneta. As hostes quase vitoriosas vinham agora de roldão sobre a planície, fugindo amedrontadas, envolvendo as reservas na mesma dispersão e na mesma derrota.
Depois desse desastre e do último malogro da ação sobre Itaparica, o exército de Madeira ficou em total abatimento, que não pôde renovar reforços para dominar além da capital.
Folclore da Independência
Uma luta tão duradoura, tão visceralmente ligada à s aspirações de um povo, deixou um variado legado no folclore.
O historiador José Calasans registrou algumas quadrinhas que eram cantadas, de ambos os lados (portugueses e brasileiros):
Dos portugueses, parodiando o Hino do Brasil:
Brava gente brasileira
Do gentio da Guiné
Que deixou as cinco chagas
Pelos ramos do café.
"cinco chagas" referia-se à bandeira portuguesa
"ramos do café", alusão à bandeira adotada por Pedro I.
Dos brasileiros, contra seus adversários, as quadrinhas:
Labatut jurou a Pedro,
Quando lhe beijou a mão,
Botar fora da Bahia
Esta maldita nação!
O Madeira queria
se coroar!
Botou uma sorte,
Saiu-lhe um azar!
Nas batalhas
Intervenções divinas:
Regista ainda Calasans fato narrado pelo folclorista João da Silva Campos, em que Santo Antônio protagonizara curiosa intervenção na retirada das tropas do Brigadeiro Manuel Pedro de Salvador, possibilitando assim a organização das forças de resistência em Cachoeira: "A soldadesca d'el-rei deu para trás com precipitação, ante os repetidos golpes do estranho guerreiro de burel que, ao demais, parecia blindado contra as balas (...) Mais tarde explicaram os reinóis a causa de haverem cedido terreno à queles. Então os nacionais, que não tinham visto frade algum à testa dos seus pelotões, atribuíram a Santo Antônio a façanha de, esposando a causa da Independência do Brasil, haver-se oposto de arma em punhos aos seus compatriotas".
Já na batalha do Rio Vermelho foi a aparição da Senhora Santana que, estando as tropas descansando, avisou-as da chegada do inimigo, evitando assim o ataque surpresa e possibilitou a vitória aos brasileiros.
O "Corneteiro Lopes":
Também atribuído ao folclore a existência do corneteiro que, na decisiva Batalha de Pirajá, invertera a ordem recebida de tocar a "retirada", inverteu o toque para "degolar", apavorando os portugueses em franca vantagem e enchendo de inaudito ânimo as tropas brasileiras.
O "Caboclo"
Importante participação nas lutas teve o elemento indígena. Sobretudo representava o "verdadeiro brasileiro", o dono da terra, que somara seus esforços aos demais combatentes. A Bahia rendeu-lhe homenagens sempre ostensivas e, em 1896, no monumento erguido na capital baiana, o caboclo encima - tal qual a figura do Almirante Nelson no monumento a Trafalgar, em Londres - aquele importante marco.
Na cidade de Caetité, que todos os anos festeja o 2 de Julho com grande pompa, a cabocla surge num dos carros, matando o "Dragão da Tirania", que representa o colonizador vencido.
Resquícios: o "Mata Maroto"
A história regional baiana confirma que na área do São Francisco ocorreram disputas entre brancos nacionais, que participavam da luta pela independência do Brasil em 1823, e portugueses “em um movimento conhecido na região como Guerra Mata-Maroto”.
1820 - Revolução liberal do Porto
Revolução liberal do Porto
A chamada Revolução do Porto foi um movimento liberal que acarretou consequências tanto na História de Portugal como na História do Brasil.
Iniciado na cidade do Porto no dia 24 de Agosto de 1820, cuja burguesia mercantil se ressentia dos efeitos do Decreto de Abertura dos Portos à s Nações Amigas (1808), que deslocara para o Brasil parte expressiva da vida econômica metropolitana, o movimento reivindicatório logo se espalhou, sem resistências, para outros centros urbanos de Portugal, consolidando-se com a adesão de Lisboa.
Iniciado pela guarnição do Porto, irritada com a falta de pagamento, e por comerciantes descontentes daquela cidade, conseguiu o apoio de quase todas as camadas sociais: o Clero, a Nobreza e o Exército português. Entre as suas reivindicações, exigiu:
- o imediato retorno da Corte para o reino, visto como forma de restaurar a dignidade metropolitana;
- o estabelecimento, em Portugal, de uma Monarquia constitucional; e
- a restauração da exclusividade de comércio com o Brasil (reinstauração do Pacto Colonial).
A chamada Revolução do Porto foi um movimento liberal que acarretou consequências tanto na História de Portugal como na História do Brasil.
Iniciado na cidade do Porto no dia 24 de Agosto de 1820, cuja burguesia mercantil se ressentia dos efeitos do Decreto de Abertura dos Portos à s Nações Amigas (1808), que deslocara para o Brasil parte expressiva da vida econômica metropolitana, o movimento reivindicatório logo se espalhou, sem resistências, para outros centros urbanos de Portugal, consolidando-se com a adesão de Lisboa.
Iniciado pela guarnição do Porto, irritada com a falta de pagamento, e por comerciantes descontentes daquela cidade, conseguiu o apoio de quase todas as camadas sociais: o Clero, a Nobreza e o Exército português. Entre as suas reivindicações, exigiu:
- o imediato retorno da Corte para o reino, visto como forma de restaurar a dignidade metropolitana;
- o estabelecimento, em Portugal, de uma Monarquia constitucional; e
- a restauração da exclusividade de comércio com o Brasil (reinstauração do Pacto Colonial).
A junta governativa de Lord Beresford foi substituída por uma junta provisória, que convocou as Cortes Gerais Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa para elaborar uma Constituição para Portugal. Enquanto esta carta magna estava sendo redigida, entrou em vigor uma Constituição provisória, que seguia o modelo espanhol.
O movimento, vitorioso, ficaria conhecido como Revolução do Porto ou Revolução Liberal do Porto. Como consequências, a Corte retornou a Portugal no ano de 1821 e, diante do progressivo aumento da pressão para a recolonização do Brasil, este proclamou a sua independência em 1822.
1812 - Guerra de 1812
Guerra de 1812
A Guerra de 1812, ou a Guerra Anglo-Americana, foi uma guerra ocorrida entre 1812 e 1815 entre os Estados Unidos da América e a então colônia britânica de Canadá. A guerra terminou em status quo.
A Revolução Francesa trouxe problemas para os EUA, devido à s diferenças entre as facções federalistas(admiradores da Inglaterra) e os republicanos (admiradores da França revolucionária), e a acentuação da rivalidade da França com a Inglaterra, que não engolira a independência da ex-colônia. Além disso, os britânicos ainda tinham ligações comerciais com os sulistas. Eles tentaram de todas as maneiras impedir os acordos entre franceses e nortistas, utilizando-se da força: apresamento de navios da ex-colônia, desafiando a soberania nacional e prejudicando as indústrias; recrutamento forçado de norte-americanos por ingleses; problemas com índios no oeste, instigados por britânicos no Canadá; e, em para os EUA, a conquista da mesma, fato esse almejado por eles. Entre 1812 e 1814 ocorreu o conflito, durante o governo do presidentre James Madison. Apesar dos desastres sofridos, o tratado de Gand, que acabou com a guerra, não promoveu modificações no mapa dos EUA. Melhor, reforçou o sentimento nacionalista da população e consolidou a União.
1810 - Guerra da Independência do México
Guerra da Independência do México
Depois de quase três séculos sob domínio colonial espanhol, os habitantes do Vice-Reino da Nova Espanha começaram a exigir a independência da sua nação devido a divergências políticas e religiosas com a coroa. No início do século XIX este sentimento ganhou força entre a elite da Cidade do México e, depois de algumas tentativas falhadas, a guerra foi declarada na madrugada de 16 de Setembro de 1810 pelo padre Miguel Hidalgo y Costilla na paróquia de Dolores Hidalgo, estado de Guanajuato (esta declaração ficou conhecida como Grito de Dolores).
O conflito prolongou-se por oito anos e esteve longe de ser um movimento homogéneo. Começou quase como se de uma guerra religiosa se tratasse sendo liderada por sacerdotes. No entanto passado pouco tempo tornou-se uma guerra republicana, tendo o exército realista praticamente posto fim à contenda após um par de anos. A luta independentista passou então a fazer-se sob a forma de uma guerra de guerrilha confinada à s montanhas do sul até que um hábil coronel realista de nome Agustín de Iturbide negociou alianças com quase todas as facções combatentes (incluindo o governo do vice-reino) tendo conseguido a independência de uma forma relativamente pacífica em 27 de Setembro de 1821, ainda que o reconhecimento formal de Espanha só tenha ocorrido em 28 de Abril de 1836.
A antiga colónia espanhola passou a ser, de forma bastante efémera, uma monarquia constitucional católica com a designação de Império Mexicano o qual, após a independência das províncias da América Central bem como de alguns conflitos internos, se converteria numa república federal.
Miguel Hidalgo e o início do movimento de insurgência
O conflito prolongou-se por oito anos e esteve longe de ser um movimento homogéneo. Começou quase como se de uma guerra religiosa se tratasse sendo liderada por sacerdotes. No entanto passado pouco tempo tornou-se uma guerra republicana, tendo o exército realista praticamente posto fim à contenda após um par de anos. A luta independentista passou então a fazer-se sob a forma de uma guerra de guerrilha confinada à s montanhas do sul até que um hábil coronel realista de nome Agustín de Iturbide negociou alianças com quase todas as facções combatentes (incluindo o governo do vice-reino) tendo conseguido a independência de uma forma relativamente pacífica em 27 de Setembro de 1821, ainda que o reconhecimento formal de Espanha só tenha ocorrido em 28 de Abril de 1836.
A antiga colónia espanhola passou a ser, de forma bastante efémera, uma monarquia constitucional católica com a designação de Império Mexicano o qual, após a independência das províncias da América Central bem como de alguns conflitos internos, se converteria numa república federal.
Miguel Hidalgo e o início do movimento de insurgência
A figura central e principal instigador da independência do México foi Miguel Hidalgo y Costilla, padre na pequena paróquia de Dolores Hidalgo, Guanajuato. Logo após a sua ordenação como sacerdote, Hidalgo começou a promover o levantamento popular de índios e mestiços contra os espanhóis abastados, os fazendeiros e os aristocratas. Cedo compreendeu a necessidade de diversificação das actividades industriais em Guanajuato, cuja economia estava tradicionalmente centrada na indústria mineira. Ao mesmo tempo, durante os sete anos que passou em Dolores, Hidalgo promoveu grupos de discussão em sua casa, onde eram bem-vindos indígenas, mestiços, criollos (de origem espanhola, mas nascidos na Nova Espanha) e peninsulares. Os temas abordados nestas discussões eram acontecimentos da época, aos quais Hidalgo juntava as suas opiniões sociais e económicas. O movimento independentista nasceu destas discussões informais e era dirigido contra o domínio político e económico espanhol sobre a Nova Espanha. Foi em 8 de Dezembro de 1810 que os conspiradores decidiram iniciar o conflito.
O Grito de Dolores
Os planos independentistas foram descobertos pelo governo central, sendo os conspiradores alertados por Josefa Ortíz de Domínguez, mulher do Corregedor de Querétaro, de que havia ordens de captura emitidas contra eles. Pressionado por estes novos acontecimentos, Hidalgo decidiu iniciar imediatamente a luta pela independência, na manhã do dia 16 de Setembro de 1810 (sendo esta a data em que o México celebra a sua independência). Os sinos tocaram a rebate chamando a população a quem Hidalgo pediu que se juntassem à luta contra o governo espanhol e peninsulares, com o seu famoso Grito de Dolores: ”Viva a Virgem de Guadalupe! Morte ao mau governo! Viva Fernando VII!”. A população respondeu entusiasticamente e de imediato uma multidão começou a marchar em direcção à capital regional, Guanajuato. Os mineiros de Guanajuato juntaram-se aos trabalhadores de Dolores no massacre de todos os peninsulares que ofereceram resistência, incluindo o intendente, dirigente colonial na região.
A partir de Guanajuato as forças independentistas marcharam até à Cidade do México depois de terem capturado Zacatecas, San Luís Potosí e Valladolid. Em 30 de Outubro de 1810 foram enfrentados pelas forças realistas em Monte de Las Cruces e apesar da vitória dos independentistas, estes perderam o impulso inicial, fracassando na sua intenção de tomar a Cidade do México. Após várias vitórias, as forças insurgentes dirigiram-se em direcção ao norte, com destino ao Texas. Em Março do ano seguinte, os insurgentes foram emboscados e feitos prisioneiros em Monclova, no estado de Coahuila. Hidalgo, sendo sacerdote, foi julgado pela Santa Inquisição e declarado culpado de heresias e traição, sendo condenado à morte. Seria fuzilado no dia 31 de Julho de 1811. O seu corpo seria depois mutilado e a sua cabeça exposta publicamente em Guanajuato, como advertência aos possíveis insurgentes.
José María Morelos y Pavón e a declaração de independência
Depois da morte de Hidalgo, a liderança do movimento insurgente foi assumida por José María Morelos y Pavón. Morelos tomou as rédeas dos assuntos políticos e militares da insurreição planeando um movimento estratégico com vista a isolar a Cidade do México e a cortar as suas comunicações com as costas. Em Junho de 1813, foi por ele convocado um congresso nacional de representantes de todas as províncias, que teve lugar em Chilpancingo, actual estado de Guerrero, com o objectivo de discutir o futuro do México como nação independente. Os pontos mais importantes do documento emergente deste congresso foram a soberania nacional, o direito universal ao voto para todos os homens, a adopção do catolicismo como religião oficial, a abolição da escravatura e do trabalho forçado, o fim dos monopólios governamentais e o fim dos castigos físicos. A declaração de independência seria assinada a 6 de Novembro de 1813. Apesar de alguns êxitos iniciais das forças de Morelos, as forças coloniais conseguiriam romper o cerco feito à Cidade do México ao fim de seis meses, capturando posições em zonas vizinhas à cidade e acabando por invadir Chilpancingo. Depois destas derrotas o congresso (particularmente Ignacio López Rayon), em lugar de se unir de forma a conseguir a independência, decidiu deixar de reconhecer Morelos como generalíssimo e chefe supremo do exército incumbindo-o unicamente da tarefa de proteger o congresso. Morelos conseguiria proteger o congresso de tal forma que seria redigida uma constituição, jurada em Apatzingan em 22 de Outubro de 1814. A constituição concedia poderes absolutos ao congresso (no seio do qual se travava uma luta acesa) e este não tardaria a reunir de novo os efectivos necessários à continuação da luta deixando Morelos praticamente sem forças, com receio de que este tomasse o poder). Morelos seria capturado poucos meses depois durante uma escaramuça pela manutenção à distância dos realistas que perseguiam os congressistas, enfrentando o mesmo destino que Hidalgo. Seria fuzilado em 22 de Dezembro de 1815, depois de ser degradado e excomungado.
Guerrero, Victoria e a guerra de guerrilha
Entre 1815 e 1821, a guerra de independência tornou-se uma guerra de guerrilha. Nesta fase emergiriam dois caudilhos ilustres: Guadalupe Victoria (cujo nome verdadeiro era Manuel Félix Fernández) em Puebla e Vicente Guerrero em Oaxaca. Os dois ganharam a lealdade e o respeito dos seus seguidores. Entretanto o Vice-rei pensava ter a situação controlada e declarou o indulto geral para todos os rebeldes que depusessem as armas.
Após dez anos de guerra civil e a morte de dois dos seus líderes, o movimento insurgente encontrava-se inerte e próximo do fracasso. Os rebeldes enfrentavam forte resistência dos espanhóis e a apatia dos criollos mais influentes da colónia. A violência excessiva e a paixão popular dos exércitos irregulares de Hidalgo e Morelos convenceram muitos criollos de que se tratava de uma guerra de classes e raças, o que os levou a juntar-se, ainda que contrafeitos, ao governo espanhol, até que pudessem encontrar uma via menos sangrenta para a obtenção da independência. É neste momento que os planos de um caudilho militar coincidiram com uma revolta liberal em Espanha, tendo tornado possíveis as repentinas mudanças de lealdade, a favor do lado independentista.
No que supostamente deveria ser a última campanha realista contra os insurgentes, foi enviada pelo Vice-rei Juan Ruíz de Apodaca uma força comandada pelo criollo Agustín de Iturbide, com a intenção de derrotar o exército de Guerrero em Oaxaca. Iturbide, nascido em Valladolid, havia-se tornado famoso pelo fervor com perseguia as forças do mal de Hidalgo e Morelos durante os primeiros anos da luta independentista. Como favorito da hierarquia da Igreja mexicana, Iturbide era a encarnação do perfeito criollo conservador: pio, religioso e dedicado à protecção da propriedade privada e dos privilégios sociais. No entanto, Iturbide estava insatisfeito, pois carecia de uma alta patente militar bem como de riqueza.
Iturbide e Fernando VII de Espanha
A missão de Iturbide em Oaxaca coincidiria com um bem sucedido golpe militar em Espanha, contra o novo monarca, Fernando VII. Os líderes do golpe, que haviam sido incluídos numa expedição militar para suprimir os movimentos independentistas das Américas, obrigaram o rei a assinar a constituição liberal de 1812. Quando chegaram ao México notícias destes acontecimentos, Iturbide entendeu-os como um perigo para o status quo e como uma oportunidade para os criollos assumirem o controlo do México. Depois de um primeiro confronto com as forças de Guerrero, Iturbide trocou as suas lealdades e convidou o líder rebelde para um encontro em que se discutiriam os princípios de um movimento insurgente regenerado.
Em Iguala, Iturbide proclamou três princípios ou garantias ao México independente: o México seria uma nação independente governada pelo rei Fernando VII ou outro príncipe conservador da Europa; criollos e peninsulares teriam os mesmos direitos e privilégios; a igreja Católica manteria os seus privilégios e o monopólio religioso no México. Depois de convencer as suas tropas a aceitar estes princípios, proclamados em 24 de Fevereiro de 1821, como Plano de Iguala, Iturbide persuadiu Guerrero a unir forças com ele a favor da nova manifestação conservadora do movimento de independência. Foi então criado um novo exército, o exército das Três Garantias, sob o comando de Iturbide, para garantir a implementação do Plano de Iguala. O plano satisfazia tanto os liberais como os conservadores; o objectivo da independência e a simultânea protecção da Igreja Católica tornaram possível o apoio de todos ao movimento independentista.
O consumar da independência
As forças rebeldes de todo o México juntaram-se ao exército de Iturbide. Quando a vitória dos insurgentes se tornou aparente deu-se a renúncia do Vice-rei. Em 24 de Agosto de 1821, foi assinado, por Iturbide e representantes da coroa espanhola, o Tratado de Córdoba, que reconhecia o México como nação independente segundo os termos do plano de Iguala. Iturbide, que havia sido um realista leal, convertera-se no paladino da independência mexicana. Iturbide incluiu um artigo no tratado que possibilitava ao congresso escolher um rei criollo se nenhum membro da realeza europeia aceitasse o trono mexicano. Este artigo permitiu a Iturbide subir ao trono mexicano, dando início ao primeiro Império Mexicano.
1807 - Guerra Peninsular
Guerra Peninsular
A chamada Guerra Peninsular sucedeu no início do século XIX, na Península Ibérica, integrando o evento mais amplo das Guerras Napoleónicas. Envolveu Portugal, Espanha, Grã-Bretanha e França, com repercussões além da Europa, na independência da América Latina.
Antecedentes
A chamada Guerra Peninsular sucedeu no início do século XIX, na Península Ibérica, integrando o evento mais amplo das Guerras Napoleónicas. Envolveu Portugal, Espanha, Grã-Bretanha e França, com repercussões além da Europa, na independência da América Latina.
Antecedentes
Embora uma historiografia tradicional sustente um recorte entre 1807 e 1814, a sequência de eventos envolvendo a península remonta à Campanha do Rossilhão (1793-95), quando tropas de Portugal reforçam as da Espanha, integrando a primeira aliança liderada pela Inglaterra contra a França revolucionária.
A partir da ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder (1799), a Espanha alia-se à França, para, por meio da invasão e da divisão de Portugal entre estes, atingir indirectamente os interesses comerciais do Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte (Guerra das Laranjas, 1801).
Oscilando entre o Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte e a França enquanto potências, Portugal, tenta um equilíbrio que preserve a sua soberania e os seus interesses. Sem conseguir que Portugal encerrasse os seus portos ao Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte, Napoleão assina o Tratado de Fontainebleau com a Espanha (27 de outubro de 1807), tentando repartir o território português a ser conquistado, em três reinos:
Lusitânia Setentrional – cujo território se compreendia entre o rio Minho e o rio Douro, um principado a ser governado pelo soberano do extinto reino da Etrúria (então Maria Luísa, filha de Carlos IV de Espanha);
Algarves – região compreendida ao sul do Tejo, a ser governada por Manuel de Godoy, o Príncipe da Paz, primeiro-ministro de Carlos IV, com o título de rei; e
(Resto de) Portugal – cujo território se inscrevia entre o rio Douro até ao rio Tejo, região estratégica pelos seus portos, a ser administrada directamente pela França até à paz geral.
Para o cumprimento do Tratado, Napoleão tentou a invasão de Portugal, iniciando a que tradicionalmente se denomina Guerra Peninsular (1807-14), cuja primeira parte é conhecida como invasões francesas a Portugal.
1a. Invasão
Sob o comando do General Junot, as tropas francesas entraram na Espanha em 18 de Outubro de 1807, cruzando o seu território em marcha acelerada em pleno inverno, e alcançando a fronteira portuguesa em 20 de Novembro. Sem encontrar resistência, uma coluna de tropas invasoras atingiu Abrantes a 24, em busca de provisões. Faminto e desgastado pela marcha e pelo rigor do inverno, o exército francês teve dificuldade para ultrapassar o rio Zêzere, entrando em Santarém a 28, de onde partiu no mesmo dia, rumo a Lisboa, onde entrou a 30, à frente de dois regimentos em mau-estado. No dia anterior, a Família Real e a Corte portuguesa haviam largado ferros da barra do rio Tejo, rumo ao Brasil, levando em 34 navios de guerra portugueses, cerca de 15.000 pessoas, deixando o governo de Portugal nas mãos de uma regência, com instruções para não "resistir" aos invasores.
No ano seguinte, em Agosto, uma força britânica sob o comando do general Arthur Wellesley (mais tarde duque de Wellington), desembarcava em Portugal, avançando sobre Lisboa. Travaram-se, na seqüência, a batalha de Roliça e a batalha do Vimeiro, vencidas pelos aliados Portugal/Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte, forçando à Convenção de Sintra.
2a. Invasão
Enquanto a invasão de Portugal sucedia, Napoleão forçou a abdicação do rei Carlos IV de Espanha e de seu herdeiro, D. Fernando (Baionne, 1808), conduzindo ao trono espanhol o seu irmão José Bonaparte. Os espanhóis revoltaram-se contra os usurpadores franceses, obtendo apoio das tropas Britânicas estacionadas no norte de Portugal. Sob o comando de John Moore, os Britânicos passam a fronteira no início de 1809, para serem derrotados, na Corunha, pelo Marechal Soult. Obrigadas a retirar, deixaram a descoberto a fronteira com Portugal, permitindo a Soult, invadir o país pela fronteira do Minho em Março de 1809, avançando até à cidade do Porto, cidade que ocupam a 24 desse mês, fixando fronteira no rio Douro. Em Maio desse mesmo ano, tropas Luso-Britânicas sob o comando do General Arthur Wellesley e do comandante-em-chefe o Marechal William Carr Beresford, vencem a chamada batalha do Douro, reconquistando a cidade do Porto (29 de Maio) e expulsando o invasor, que se retirou para a Galiza. Seguindo para o sul, as tropas de Wellesley travaram a batalha de Talavera em território espanhol e regressaram a Portugal.
É de salientar ainda a importância da escaramuça de Serém, Concelho do Vouga - região pantanosa do rio Vouga e do rio Marnel, actualmente pertencente ao Concelho de Águeda -, em que o Capitão-Mor do Vouga, José Pereira Simões, travou o avanço para o Sul do Marechal Soult, até à chegada do Coronel Nicholas Trant e do Batalhão Académico e, posteriormente, do General Arthur Wellesley, com reforços. Como consequência, as hostes do Marechal Soult não conseguiram atravessar o rio Vouga, perderam a escaramuça de Serém e foram obrigados a retirar-se para o Norte, tendo-se acantonado na cidade do Porto.
3a. Invasão
Uma terceira invasão francesa do território português teve início em 1810, sob o comando do Marechal André Masséna. Penetrando pela região Nordeste de Portugal, conquistou a Praça-forte de Almeida (Agosto), na fronteira, marchando em seguida sobre Lisboa. Interceptado pelas forças Luso-Britânicas, foi derrotado na batalha do Buçaco (27 de Setembro). Reagrupando as suas forças, retomou a marcha, flanqueando as tropas Luso-Britânicas e forçando-as a recuarem para defender a capital. Os franceses atingiram as Linhas de Torres a 14 de Outubro, erguidas na previsão dessa eventualidade e onde as tropas Luso-Britânicas os aguardavam desde o dia 10, retirando-se, derrotados, ao final do dia seguinte.
Contra-Ofensiva
A campanha dos exércitos Britânico, Português e Espanhol, entre Maio e Agosto de 1813, culminou na batalha de Vitória, seguida um mês depois pela batalha dos Pirinéus. Em pouco mais de dois meses e depois de uma ofensiva de 600 quilómetros com mais de 100 mil homens das três nações em armas, o curso da história Europeia foi modificado de forma decisiva. Seguiram-se uma série de batalhas em território francês até à vitória em Toulouse (10 de Abril de 1814), que colocou fim à Guerra Peninsular.
Conclusão
O estudo das circunstâncias que envolvem a Guerra Peninsular são importantes pelos desdobramentos que encerram, debilitando as forças da França e consolidando a hegemonia inglesa que se afirma desde então. Ao eliminar a monarquia de Carlos IV de Bourbon na Europa, Napoleão abriu as portas que conduziram à independência da América espanhola (com importante apoio da Grã-Bretanha). O mesmo ocorreu ao permitir a saída de D. João VI para o Brasil, processo que criaria as pré-condições para a independência da América portuguesa. Ainda em 1808, ao aportar a Salvador, na Bahia, o Príncipe-Regente assinou o Decreto de Abertura dos Portos à s Nações Amigas, vindo a assinar, em 1810, os tratados que permitiram a hegemonia britânica nas relações comerciais entre ambos os países, abrindo as portas de um mercado em três continentes, com tarifas alfandegárias privilegiadas. Com fôlego renovado, sob o comando do mesmo Wellington, herói da Guerra Peninsular, a Grã-Bretanha derrotou Napoleão na batalha de Waterloo (1815), desfrutando de uma hegemonia mundial que conservaria até à Primeira Guerra Mundial (1914-18)
Por outro lado, embora com menor impacto, o governo de Portugal declararia guerra à França e à Espanha, ocupando a Guiana francesa (1809-15) e a Banda Oriental do rio da Prata, actual Uruguai (1810-28).
A crise económica e institucional em Portugal continental agravou-se com a permanência da corte portuguesa no Brasil, o que fortaleceu as idéias liberais no país, conduzindo à Revolução do Porto (1820) e forçando o retorno do soberano à Europa (1821). A tentativa de recolonização do Brasil levou à independência deste, no ano seguinte (1822). Enquanto que franceses e ingleses continuaram com o seu desenvolvimento económico e industrial, Portugal viu o seu território transformado em campo de batalha, as cidades constantemente pilhadas pelos exércitos estrangeiros e a indústria estagnada.
1803 - Guerras Napoleónicas
Guerras Napoleónicas
Guerras Napoleônicas é a designação do conflito mundial que opôs a quase totalidade das nações da Europa a Napoleão Bonaparte, herdeiro da Revolução Francesa e ditador militar.
Bonaparte, imperador da França, foi 1º Cônsul em 1799 e coroado em 1804, sob o título de Napoleão I. A partir de 1807 conduz o governo, sem atander aos Corpo Legislativo e com características autoritárias, imperiais e expansionistas.
As guerras, a princípio localizadas como conflitos entre soberanos, tornaram-se guerras nacionais a partir da resistência popular de Espanha e Portugal aos invasores napoleónicos. Com o apoio da aristocracia inglesa, as nações europeias, derrotadas em sucessivas coligações acabaram por se impor a Napoleão na Batalha de Waterloo (1815).
Precedentes
Bonaparte, imperador da França, foi 1º Cônsul em 1799 e coroado em 1804, sob o título de Napoleão I. A partir de 1807 conduz o governo, sem atander aos Corpo Legislativo e com características autoritárias, imperiais e expansionistas.
As guerras, a princípio localizadas como conflitos entre soberanos, tornaram-se guerras nacionais a partir da resistência popular de Espanha e Portugal aos invasores napoleónicos. Com o apoio da aristocracia inglesa, as nações europeias, derrotadas em sucessivas coligações acabaram por se impor a Napoleão na Batalha de Waterloo (1815).
Precedentes
A seguir à s guerras da Primeira e Segunda Coligações contra a França, durante e logo após a Revolução Francesa, formou-se uma Terceira Coligação em 1804. A ideia desta coligação era tentar deter as crescentes ambições do governante francês, Napoleão Bonaparte, que em Maio de 1804 recebera o título de imperador. As acções de Napoleão provocaram uma nova entrada da Grã-Bretanha na guerra, logo seguida pela Áustria, Nápoles, Rússia e Suécia. A Espanha era então aliada da França.
A guerra no mar
Napoleão organizou uma enorme frota para atacar a Inglaterra, mas em Outubro de 1805 uma esquadra britânica comandada por Horácio Nelson destruiu uma força combinada franco-espanhola em Trafalgar, acabando com a ameaça francesa.
Europa central
Napoleão lançou os seus exércitos num ataque à Áustria, que derrotou-a na Batalha de Austerlitz em Dezembro de 1805. No ano seguinte invadiu a Prússia e derrotou-a nas batalhas de Jena e Auerstadt. Em 1807 derrotou os Russos na batalha de Friedlândia. Em 1809 os Austríacos voltaram à luta mas foram novamente derrotados e obrigados a fazer a paz.
Península Ibérica
Na península Ibérica, em 1807, Napoleão atacou Portugal e, em 1808, a Espanha, nomeando o seu irmão José Bonaparte como rei de Espanha. Os povos ibéricos revoltaram-se e as tropas britânicas desembarcaram em Portugal. Napoleão forçou-as a uma retirada para a Corunha, no norte de Espanha. Arthur Wellesley, mais tarde duque de Wellington, tomou então o comando aliado na Guerra Peninsular. Enquanto as forças de guerrilha e os corajososo exércitos espanhóis, desgastavam os franceses e obrigavam Napoleão a manter um enorme exército na Espanha, o exército português reconstituído aliado aos britânicos sob o mando de Wellington, segurou Portugal através das Linhas de Torres e venceu no Buçaco, Albuera, Salamanca, Badajoz, Ciudad Rodrigo. Em Maio de 1813 o exército anglo-português iniciou a libertação de Espanha, obtida nas batalhas de Vittoria e dos Pirinéus. Após a queda de Pamplona e San Sebastian, o exército anglo-português atravessou a fronteira francesa e alcançou sucessivas vitórias em Nivelle, Nive, e finalmente Toulouse, a 10 de Abril.
Rússia
Napoleão estava decidido a esmagar a Rússia, que invadiu com seiscentos mil homens em Junho de 1812. Tomou Moscovo, a que os Russos tinham pegado fogo, mas encontrou-se com falta de mantimentos e em pleno Inverno russo. Teve de retirar, perdendo a esmagadora maioria dos seus soldados. A Áustria, Prússia e outros estados alemães recomeçaram a guerra, e em Outubro de 1813 uma força combinada de russos, prussianos e austríacos derrotou Napoleão em Lípsia. Este abdicou em Abril de 1814 e foi exilado para a ilha de Elba.
Brasil
As Guerras Napoleónicas repercutiram-se no Brasil a partir da invasão da península Ibérica desde 1807.
Com a chegada da Família Real portuguesa ao Brasil (1808), e a transferência da Administração para o Rio de Janeiro, o Príncipe Regente emite o Decreto de Abertura dos Portos à s Nações Amigas, assinando-se em seguida os tratados de 1810: o Tratado de Aliança e Amizade e o Tratado de Comércio e Navegação, com a Inglaterra, consolidando a ascendência daquela potência sobre Portugal e seus domínios ultramarinos.
Em represália à ocupação do território de Portugal continental, as forças portuguesas invadem e ocupam a Guiana Francesa (1809-16), e incorporam a banda oriental (atual Uruguai) do rio da Prata.
Em 1816, o Brasil foi elevado à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves.
Os cem dias
Em Março de 1815 Napoleão escapou-se da ilha de Elba e regressou à França. O rei francês, Luís XVIII, fugiu e Napoleão viu-se de novo no poder. Reuniu-se apressadamente um exército aliado, sob o comando de Wellington e do marechal prussiano Gebhard von Blucher, que derrotou Napoleão na Bélgica, em Waterloo, em Junho. Napoleão foi novamente exilado, agora para a ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, onde morreu em 1821.
1801 - Guerra das Laranjas
Guerra das Laranjas
A chamada Guerra das Laranjas foi um curto episódio militar que se registrou entre Portugal e a Espanha em 1801, preludiando a Guerra Peninsular, com extensos desdobramentos, quer na península Ibérica, quer no ultramar português.
Episódio traumático na História de Portugal, reveste-se de particular importância por ter iniciado a chamada Questão de Olivença, em aberto na política de Relações Internacionais de ambos os países até aos nossos dias.
Antecedentes políticos e atores
Os antecendentes deste conflito episódico inscrevem-se remotamente no confronto entre a França e a Inglaterra pela hegemonia no plano internacional, envolvendo a Espanha e Portugal, como respectivos estados-satélites e, episodicamente, no contexto do golpe do 18 Brumário, que conduziu Napoleão Bonaparte ao poder (Novembro de 1799).
Neste momento, ao se iniciar o século XIX, o governo de D. Maria I de Portugal (1777-1816) buscava se equilibrar entre as duas potências no tabuleiro europeu, através de uma política externa pautada pela neutralidade. Os ganhos com essa política eram duplos, uma vez que sob o manto dessa neutralidade, o comércio português atendia a ambos os lados em conflito.
A França desejosa de romper a aliança anglo-portuguesa, e assim fechar os portos portugueses ao comércio britânico, pressionava a Espanha para invadir Portugal. Não foi outra a intenção do Segundo Tratado de Santo Ildefonso assinado sigilosamente entre a França e a Espanha, concluído em agosto de 1796, pelo qual esta última declarou guerra à Inglaterra a 8 de Outubro. A pressão sobre Portugal aumentou quando do seu envolvimento na destruição da armada espanhola ao largo do cabo de São Vicente e, posteriormente, pela participação no bloqueio inglês a Alexandria, no Egito (Julho de 1798). Em 1800, pela assinatura de um terceiro Tratado de Santo Ildefonso, a França obteve novas concessões da Espanha. Em consequência ambos os países assinaram uma Convenção (Janeiro de 1801), pela qual um ultimado conjunto foi apresentado a Portugal (Fevereiro), intimando-o a:
- abandonar a sua tracional aliança com a Inglaterra, fechando-lhe os seus portos;
- abrir os seus portos à França e à Espanha;
- entregar território correspondente a ¼ da população metropolitana como garantia da devolução ou cessão de ilhas espanholas em mãos inglesas: Trinidad, Minorca e Malta;
- pagar reparações de guerra à França e à Espanha; e
- rever os limites fronteiriços com a Espanha.
Caso Portugal se recusasse a aceitar os termos deste ultimato, seria invadido pela Espanha, para o que a França contribuiria com um efetivo de 15.000 homens.
Os efetivos
Mesmo Portugal tendo despachado um negociador para a Corte de Madrid, contestanto a intimação, a Guerra foi declarada.
O Exército português contava no início de 1801 apenas com 2.000 cavaleiros e 16.000 infantes, sob o comando de D. João Carlos de Bragança Sousa e Ligne, 2.º duque de Lafões.
Pelo lado espanhol, em Março, o primeiro-ministro espanhol Manuel de Godoy foi nomeado comandante-em-chefe das tropas de invasão, cujo efetivo ascendia a 30.000 homens.
Pelo lado francês, em Abril, as tropas sob o comando do general Leclerc (cunhado de Napoleão Bonaparte), começaram a chegar à Espanha. Diante do rápido desfecho do conflito, entretanto, não tiveram oportunidade de entrar em combate.
A campanha
A 20 de Maio, o exército espanhol penetrava em Portugal pelo Alentejo, ocupando, sem resistência, a Praça-forte de Olivença, feito que se repetiu com a Fortaleza de Juromenha, Arronches, Portalegre, Castelo de Vide, Barbacena e Ouguela. A Praça-forte de Campo Maior resisitiu por dezoito dias antes de cair com honras militares e a Praça-forte de Elvas resistiu com êxito. No curto espaço de dezoito dias, o exército espanhol era senhor da região do Alto-Alentejo.
A designação que o conflito tomou historiograficamente deve-se a um episódio ocorrido quando do cerco a Elvas (Maio de 1801): dois soldados espanhóis teriam colhido dois ramos de laranjeira com frutos, que foram remetidas frescas por seu comandante, Manuel de Godoy, à rainha Maria Luísa, esposa de Carlos IV de Espanha, com a mensagem: Eu careço de tudo, mas sem nada irei para Lisboa. Alguns autores vêem neste gesto de galanteria um indicativo de uma relação mais íntima entre Godoy e a sua soberana.
O Tratado de Badajoz
Surpreendido e em desvantagem, Portugal assinou o Tratado de Badajoz (6 de Junho de 1801), que entre seus artigos, estipulava:
A paz entre as duas nações, em toda a extensão de seus reinos e domínios, em terra e no mar;
O fechamento dos portos de Portugal e de todos os seus domínios aos navios da Inglaterra;
A restituição, pela Espanha, das praças e povoações de Juromenha, Arronches, Portalegre, Castelo de Vide, Barbacena, Campo Maior e Ouguela, conservando, em qualidade de Conquista (...) a Praça de Olivença, seu Território, e Povos desde o Guadiana, estipulando-se a linha lindeira, naquele território, pelo rio Guadiana;
Probição ao contrabando nas fronteiras entre ambos os países;
Pagamento por parte de Portugal à Espanha, das despesas incorridas por esta na guerra;
Os termos do tratado foram ratificados pelo Príncipe-Regente de Portugal no dia 14 e pelo rei da Espanha a 21 do mesmo mês, mas foram rejeitados por Napoleão Bonaparte. Um novo Tratado foi celebrado, a 29 de Setembro de 1801, que, se por um lado formulou imposições mais severas a Portugal, por outro, evitou uma nova violação de seu território.
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