Pesquisa personalizada

sábado, 30 de Abril de 2011

Portugal - Fuzileiros Navais

Fuzileiro uma vez... Fuzileiro para sempre

Os fuzileiros constituem uma das forças militares mais bem preparadas e eficazes das Forças Armadas Portuguesas com capacidade para intervir em qualquer parte do globo.

Disponíveis para qualquer missão, desde missões humanitárias no estrangeiro até à intervenção na defesa da costa portuguesa, representam a infantaria ligeira da Marinha de Guerra Portuguesa. Este artigo abordará a sua formação, missão, orgânica e equipamentos.


História e Missões


O Corpo de Fuzileiros portugueses possui quase quatro séculos de história. Ao longo do tempo a evolução da doutrina que envolve o emprego destas forças mudou e com ela verificaram-se importantes alterações na estrutura dos fuzileiros, no seu treino e nas suas missões, tornando-se num corpo de infantaria de elite com capacidade para executar várias missões.


Tiveram a sua origem no corpo de fuzileiros mais antigo do mundo, o espanhol "Tercio da Armada". Aquando a sua criação, em 1621, representaram um aumento da capacidade de combate da marinha portuguesa, em especial no Brasil, onde era urgente a necessidade de desembarcar tropas para garantir a segurança dos colonos. As missões atribuídas aos fuzileiros consistiam na defesa da costa e guarnição dos vasos de guerra portugueses.


Revelaram-se de extrema utilidade nos combates navais travados contra outras marinhas rivais até ao início do século XVIII. Foi aliás neste século que a estrutura orgânica dos fuzileiros recebeu uma importante alteração, passando a ser constituída por uma unidade de artilharia e duas de infantaria.


Aquando das invasões francesas é a "Brigada Real de Marinha" - nome atribuído ao Corpo de Fuzileiros na altura - que acompanha a família real na sua viagem para o Brasil, e cuja presença iria originar o homólogo brasileiro, o Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha Brasileira.

O facto de Portugal possuir colónias tornava a existência dos fuzileiros um imperativo, pois o carácter das suas missões fazia destes a força militar mais indicada para garantir a defesa das colónias africanas. O seu contributo para a exploração do território africano e afirmação da soberania portuguesa é inegável, tendo realizado entre os séculos XIX e XX várias missões nos territórios ultramarinos.


Durante a Guerra Colonial (1961 a 1974), houve a necessidade de infiltrar tropas de elite no território africano e praticar a guerra de guerrilha. Mais uma vez a polivalência desta força militar ficou provada ao serem das principais forças mobilizadas para os combates.


Com o 25 de Abril de 1974 e o fim da guerra em África, dá-se a sua reestruturação de modo a responder aos novos cenários e missões. A descolonização leva a uma redefinição da doutrina dos fuzileiros tendo em vista o cenário da Guerra Fria entre a URSS e os EUA com os seus aliados.
Neste novo cenário surge o Destacamento de Acções Especiais, similar a outras unidades estrangeiras, tendo como função executar operações de alto risco recorrendo a um pequeno número de homens, mas com grande capacidade de combate.

A sua criação, em 1985, dá aos fuzileiros um novo papel em caso de conflito, passando a estar capacitados para realizar missões de grande importância no cenário estratégico actual, como operações de resgate, incursões em território inimigo, reconhecimento, sabotagem, entre outras. A preparação e treino especializado destes homens é constante e engloba várias áreas.

 
O Destacamento de Acções Especiais recebe instrução em mergulho, natação de combate, explosivos, vários tipos de armas, rappel e fast-rope, escalada, pára-quedismo, heli-assalto, defesa pessoal, condução de vários veículos, prestação dos primeiros-socorros, técnicas de evasão e outras técnicas úteis às missões específicas destes. Durante o processo de selecção, os voluntários são avaliados física e psicologicamente em função da capacidade necessária para fazer face às adversidades inerentes à sua missão. O treino com unidades da Armada contribui também para aprofundar a experiência e preparação destes homens.


Assim, são regulares os exercícios conjuntos em que se recorre aos helicópteros Super Lynx da Armada e aos submarinos da classe "Albacora", que fornecem um meio de desembarque e embarque rápido e móvel útil à realizações de operações em território hostil.
Em 1993 é de novo alterada a estrutura do Corpo de Fuzileiros. O Decreto de Lei nº49/93, publicado a 23 de Fevereiro de 1993, fixa o Corpo de Fuzileiros com um efectivo máximo de 2000 homens e atribui-lhe como missões a projecção de forças militares em terra a partir do mar, vigilância e defesa da costa portuguesa e das instalações militares portuguesas e da NATO situadas no território nacional, cooperação em missões de interesse público, destacamentos a bordo de unidades navais da Armada de modo a garantir a segurança nestas e executar missões em terra se necessário, cooperação técnico-militar com os países de expressão portuguesa ou membros da NATO.

Em 1995, foi definida a actual estrutura operacional, compreendendo uma orgânica de dois batalhões de infantaria, unidades de apoio e logística, e respectivos órgãos de comando.

O ano de 1998 constituiu para os fuzileiros um grande desafio às suas capacidades. Devido à guerra civil na Guiné-Bissau, Portugal necessitava de evacuar os cidadãos portugueses aí residentes para salvaguardar a sua segurança. A mobilização de forças militares foi significativa. Os três ramos destacaram meios e tropas para executarem a operação de resgate e apoio às populações civis. A grande responsabilidade foi sem dúvida para a Marinha Portuguesa a quem coube fornecer os navios necessários à evacuação dos refugiados, pois por via aérea tal revelava-se impossível.

Entre corvetas, fragatas, um navio reabastecedor e um navio porta-contentores civil, o "Ponta de Sagres", a frota incluía ainda fuzileiros que garantiram a segurança dos refugiados durante os desembarques e embarques nos navios portugueses, uma missão arriscada tendo em conta a vulnerabilidade face a ataques vindos da costa. Felizmente a operação correu bem e sem nenhum percalço.

Os fuzileiros foram ainda destacados para as missões de paz nos Balcãs, com o envio de uma companhia.

Mas a mais importante missão de paz - ainda a decorrer - foi em Timor-Leste, onde apoiaram a população timorense durante o processo de transição para independência deste país. A recepção das populações locais foi calorosa e durante a presença contínua da missão da ONU em Timor, as tropas portuguesas tem cooperado na reconstrução das infra-estruturas (como escolas e hospitais), tendo também sido iniciada a cooperação técnico-militar com as FALINTIL (o "embrião" das futuras forças armadas timorenses) na qual os fuzileiros têm dado um enorme contributo e mostrado grande dedicação.

Toda a operação militar foi preparada antecipadamente, e inclusive colocada a hipótese, numa primeira fase (muito antes do envio da missão da ONU), de enviar dois navios de guerra, uma corveta e uma fragata, e cem fuzileiros. A prontidão de apenas 48 horas desta tropa de elite ditou a sua escolha para um eventual envio na altura. Contudo, tal não veio a realizar-se. O treino das tropas destinadas à missão de Timor foi longo. Durante alguns meses realizaram-se vários exercícios e treinos englobando operações simuladas de desembarque nas praias timorenses e de progressão em terreno hostil.

A primeira unidade militar portuguesa a chegar a Timor foi um contigente de fuzileiros destinado ao apoio à operação de presença naval, transportado pela fragata "Vasco da Gama" da Armada. Após o seu regresso a Portugal, foi rendida pela fragata "Hermenegildo Capelo" (da classe "João Belo").

Mais recentemente os fuzileiro demonstraram a sua vertente no apoio às populações civis durante as cheias em Moçambique. O seu apoio foi de grande importância para o salvamento das populações afectadas pela catástrofe natural.

As missões de paz revelam ser sempre uma experiência gratificante para os militares envolvidos e enriquecedora do ponto de vista humano, além da vertente operacional, pois fornecem à Armada uma experiência e conhecimentos importantes para o melhoramento do treino dos militares e uma melhor adaptação face aos desafios estratégicos do novo século.

Em 2000 realizaram-se em Portugal vários exercícios com forças internacionais, dos quais se destaca o famoso Linked Seas. Aproveitando este exercício os fuzileiros utilizaram navios de desembarque da França e Espanha. A experiência transmitidas pelos homólogos destes países e a presença das tropas portuguesas nestes navios permitiu o contacto com novos procedimentos de desembarque e de condução de operações anfíbias.

Em 2001 decorreu em Portugal um exercício combinado entre forças militares portuguesas e norte-americanas cujo objectivo era simular um ataque a um centro de comunicações pertencente a uma rede de tráfico de droga. Conjuntamente com forças militares norte-americanas o Destacamento de Acções Especiais realizou uma missão de assalto envolvendo helicópteros SA-330 Puma da Força Aérea, em cooperação com outro meios navais. Um importante ponto deste exercício foi a execução pela primeira vez de um salto de pára-quedas para água pelo Destacamento de Acções Especiais.

Aos exercícios constantes dos fuzileiros, juntam-se a experiência adquirida ao longo da história deste corpo, contribuindo com um conjunto de conhecimentos vitais para a realização com sucesso de operações de combate e de apoio às populações dentro e fora do território português.

Estrutura Operacional do Corpo de Fuzileiros


Actualmente o dispositivo operacional do Corpo de Fuzileiros ronda os 1500 homens, distribuídos por 2 batalhões de infantaria e várias unidades de apoio e logística. Os fuzileiros estão colocados na Base Naval de Alfeite, onde estão aquarteladas as principais unidades do corpo e vários vasos de guerra da marinha portuguesa.

A coordenação destas unidades cabe ao Comando do Corpo de Fuzileiros, cuja missão garante a prontidão e operacionalidade destas unidades.

A , criada em 1961, assegura a formação militar e técnica dos fuzileiros, recebendo anualmente 2 cursos de voluntários, cada um incorporando 200 homens cada.

Durante o curso, os voluntários recebem formação técnica em relação aos equipamentos e são sujeitas a provas físicas de elevado grau de exigência. Nestas provas o companheirismo é demonstrado pelos cadetes, que para ultrapassar as provas recorrem ao trabalho de equipa.

A estrutura operacional dos fuzileiros, juntamente com uma descrição das missões de cada unidade, está representada no seguinte quadro:

Batalhão de Fuzileiros nº1

Este batalhão constituído por 2 companhias, constitui uma unidade de reforço do Corpo de Fuzileiros.
Em tempo de paz garante o treino de tropas, inclusive a preparação para uma participação em missões de paz. Constitui uma unidade operacional de reserva em caso de conflito.

Missão

Ao Batalhão de Fuzileiros nº 1 (BF1) compete, em especial:
Assegurar ou reforçar os meios de segurança de instalações militares nacionais ou pertencentes à NATO na dependência da Marinha, quando determinado superiormente.
Assegurar o reforço do Batalhão Ligeiro de Desembarque (BLD), quando necessário.
Assegurar o reforço das guarnições dos navios, quando necessário.

O BF1 compreende:
A Companhia de Fuzileiros nº 11 (CF11)
A Companhia de Fuzileiros nº 12 (CF12)
O Pelotão de Abordagem (PELBOARD)

Batalhão de Fuzileiros nº2

Esta unidade é constituída por 3 companhias, com uma prontidão de 48 horas, constitui uma força com capacidade para combate de infantaria ligeiro e missões de desembarque. Esta unidade, à semelhança de todas as restantes, caracteriza-se pela sua grande mobilidade.

Missão

Ao Batalhão de Fuzileiros Nº 2 (BF2) compete, em especial:
Integrar o Batalhão Ligeiro de Desembarque (BLD) como unidade base estrutural de manobra.
Assegurar a execução de outras acções de natureza militar, designadamente no âmbito dos exercícios navais, conjuntos ou combinados, do reforço do dispositivo de segurança de instalações militares, da representação do ramo em cerimónias militares e da colaboração com o Serviço Nacional de Protecção Civil.
Compete também ao BF2 a geração do elemento de comando das diversas Forças de Fuzileiros (FFZ), cuja expressão máxima é o Batalhão Ligeiro de Desembarque (BLD).

O BF2 compreende:
A Companhia de Fuzileiros nº 21 (CF21)
A Companhia de Fuzileiros nº 22 (CF22)
A Companhia de Fuzileiros nº 23 (CF23)

Companhia de Apoio de Fogos

Fornece o apoio de fogo a operações de desembarque e progressão no terreno, na sua orgânica constam meios de luta anti-tanque, como o caso dos mísseis Milan (com 5 lançadores), e ainda morteiros (que inclui 36 morteiros pesados). Tem ainda como missão o reconhecimento e vigilância do campo de batalha.

Missão

À Companhia de Apoio de Fogos (CAF) compete, em especial:
Assegurar o apoio de combate do Batalhão Ligeiro de Desembarque (BLD) executando acções de, reconhecimento, de sapadores, de vigilância do campo de batalha e de apoio de Fogos.
Apoiar as actividades de instrução e treino das unidades de Fuzileiros.

A CAF compreende:
O Pelotão de Morteiros
O Pelotão Anti-carro
O Pelotão Anti-aéreo
O Pelotão de Reconhecimento

Companhia de Apoio de Transporte Tácticos

Esta unidade garante a mobilidade característica do Corpo de Fuzileiros recorrendo a veículos médios e ligeiros até 10 toneladas. Actua em conjunto com outras unidades, servindo de unidade de apoio a operações do Batalhão Ligeiro de Desembarque.

Missão
À Companhia de Apoio de Transportes Tácticos (CATT) compete, em especial:
romover o aprontamento dos meios disponíveis por forma a garantir a mobilidade e respectiva sustentação do BLD;
Assegurar a formação complementar de condução de viaturas tácticas;
Apoiar as actividades de instrução e de treino das unidades de Fuzileiros;
Apoiar outras actividades no âmbito das missões da Marinha, quando determinado.

A CATT compreende:
O Pelotão de Transportes Tácticos
O Pelotão de Veículos Blindados de Transporte de Pessoal

Unidade de Meios de Desembarque

Cabe a esta fornecer a capacidade de desembarque anfíbio dos fuzileiros recorrendo aos meios orgânicos da unidade, que incluem lanchas de desembarque médias, botes e veículos anfíbios Larc-5 (5 veículos) de transporte e apoio logístico. Garante ainda a instrução de contigentes militares e o apoio a missões militares ou actividades civis e de interesse público.

Missão

À Unidade de Meios de Desembarque (UMD) compete, em especial:
Promover o aprontamento dos meios de desembarque que dispõe para a integração no Batalhão Ligeiro de Desembarque (BLD)
Apoiar as actividades de instrução e de treino das Unidades de Fuzileiros (UF)
Apoiar outras actividades no âmbito das missões da Marinha, quando superiormente determinado

A UMD compreende:
O Grupo de Lanchas Anfíbias (LARC)
O Grupo de Lanchas de Desembarque (LD)
O Grupo de Botes

Unidade de Polícia Naval

Tem como missão garantir a protecção e policiamento das instalações da Marinha e da NATO e de vasos de guerra e da NATO.

Missão
À Unidade de Policia Naval (UPN) compete, em especial:
Assegurar o serviço de Policia Naval
Integrar o Batalhão Ligeiro de Desembarque (BLD) a nível de pelotão, por forma a assegurar as funções de preboste e de estafetas motorizadas
Cooperar com as autoridades policiais em casos de flagrante delito ou na ausência de qualquer autoridade civil competente

A UPN compreende:
A Companhia de Policia Naval (CPN)

Em regime experimental a UPN integra o BF1, consolidando assim o conceito de Protecção de Força que constitui a missão principal do BF1 e da UPN.

Destacamento de Acções Especiais (D.A.E.)

Criado em 1985, este destacamento é constituído aproximadamente por 20 homens, e constitui a unidade de elite da Marinha, permitindo a execução de missões de alto risco e intervenções especiais fora e dentro da costa portuguesa. É uma unidade de alta preparação e com equipamento relativamente moderno, destacando-se os sub-fuzis MP-5 e espingardas automáticas M-16. Tem como principais missões a realização de incursões anfíbias em terreno hostil, reconhecimento, acções de sabotagem, recuperação de reféns e prestação de cuidados humanitários urgentes em locais de difícil acesso, ou elevado risco. Pode actuar a partir dos helicópteros e submarinos portugueses ou de outras unidades de superfície e em ambientes NBQ.

Missão


Ao Destacamento de Acções Especiais (DAE) compete:
Realizar incursões anfíbias, reconhecimentos, operações encobertas, destruições, remoção de obstáculos e outras acções, incluindo a utilização de explosivos, quer em actuação isolada, quer em apoio de outras unidades inseridas numa operação anfíbia.
Executar acções de intervenção em plataformas, navios e embarcações na área de jurisdição marítima nacional, visando a segurança de passageiros, tripulantes e navios contra actos ilícitos de natureza criminosa.
Executar acções de recuperação de pessoas ou prestação de cuidados humanitários urgentes em plataformas ou locais de difícil acesso ou elevado risco, na área de jurisdição marítima nacional.
Efectuar o reconhecimento, destruição e inactivação de engenhos explosivos convencionais de âmbito terrestre, em actividades de formação, treino e intervenção operacional que lhe são próprias.
Realizar outras acções no âmbito das missões da Marinha.
Como decorre das missões podem ser chamados a executar um vasto conjunto de acções no mar e em terra, que envolvem perícias excepcionais e comportam riscos consideráveis, quer em apoio de outras forças, quer actuando como unidade independente.
Tendo em vista a actuação do DAE, a sua projecção é através de meios navais de superfície, submarinos e aéreos de diversa natureza, com recurso, nomeadamente, a técnicas de mergulho e de pára-quedismo entre outras considerando sempre o vector mar-terra.
Como Unidade de Operações Especiais dotada de grande flexibilidade e autonomia de acção, dispondo de elevado potencial de combate resultante da utilização de técnicas de combate específicas a executar de forma dissimulada, e de equipamento de grande eficácia e sofisticação, exigindo elevados padrões de aptidão, treino e destreza individual e colectivo. Os elementos que integram esta unidade são apenas Fuzileiros dos quadros permanentes com elevada experiência operacional.
Dada a natureza das suas acções, a admissão de candidatos é bastante restrita e selectiva, pelo que apenas uma pequena percentagem (5 a 10%) consegue ingressar no efectivo da unidade.
A selecção é bastante criteriosa, feita através de um conjunto de provas de avaliação física, técnica e psicológica e obtém as seguintes qualificações individuais:
· Operações Especiais
· Mergulhador nadador de ombate (circuito fechado)
· Inactivação de engenhos explosivos convencionais - ramo terrestre
· Socorrismo avançado
· Demolições, minas e armadilhas
· Pára-quedismo militar de abertura automática ou manual
· Tiro de combate
· Condução de viaturas tácticas
· Patrulhas de reconhecimento de longo raio de acção
· Inactivação de engenhos explosivos improvisados
· Sapadores
· Comunicações
· NBQ- Nuclear, biológico e químico
· Vigilância e contra-vigilância do campo de batalha
· Sniper
· Abandono de aeronaves em imersão
· Tiro
· Combate Corpo-a-Corpo
· Montanhismo/Salvamentos
· Fast Rope/Helicast/Rappel

Escola de Fuzileiros

Missão

À Escola de Fuzileiros (EF) compete, em especial:

Assegurar a execução das acções de formação específicas da classe de Fuzileiros.

Apoiar com os seus serviços, no âmbito logístico, a Unidade de Meios de Desembarque (UMD), bem como outras Unidades de Fuzileiros (UF), quando tal seja determinado.

Garantir a segurança das instalações situadas na sua área, com meios próprios ou que lhe sejam atribuídos para o efeito.
Assegurar outras acções de formação que lhe sejam cometidas.
A EF compreende:
O Conselho Técnico-Pedagógico
A Direcção Técnico-Pedagógica
O Departamento de Pessoal
O Departamento de Material
O Departamento de Apoio


Além do intensivo treino e preparação que os fuzileiros portugueses recebem, outro elemento essencial para a eficácia operacional do Corpo de Fuzileiros é o seu armamento e equipamento. Apesar da sua maior parte não ser moderno e em alguns casos ser até obsoleto, os fuzileiros tiram dele um enorme rendimento, como provam os exercícios conjuntos entre estas forças e as de outros países. Espera-se, contudo, que tal situação mude, pois a LPM (Lei de Programação Militar) prevê o reequipamento do Batalhão Ligeiro de Desembarque e do Destacamento de Acções Especiais.

Na sua maioria, o equipamento provém da indústria bélica estrangeira, embora englobe também armamento e equipamentos produzidos pela indústria bélica portuguesa.


Como principal armamento dos fuzileiros surge a arma individual, a espingarda automática G-3 de fabrico nacional sob-licença, também em uso nos restantes ramos. O seu calibre, 7,62mm, é mais apropriado para combates na selva, o que é perfeitamente compreensível, pois a sua aquisição foi feita tendo em conta os combates da Guerra Colonial travados nos territórios das ex-colónias. No entanto, no actual contexto estratégico este calibre tornou-se obsoleto tendo sido adoptado um novo, o 5,56mm, que se tornou o calibre padrão das armas individuais dos países membros da NATO. Devido às facilidades logísticas de usar o mesmo calibre e as qualidades operacionais deste está prevista a aquisição de novas armas individuais. Como arma individual, é igualmente usada a pistola austríaca Glock 17 de 9mm e o MP5SD6, que completam as Walther MPK usadas até agora.


Se bem que em menor número, existe ainda disponível a M-16 A2 de 5,56mm, nas versões com lança-granadas de 40mm e culatra retrátil. Para apoio de fogo são utilizadas as metralhadoras médias MG-42 de 7,62mm que garantem um poder de fogo preciso e móvel para as unidades de infantaria.

Os fuzileiros dispõem ainda de outros meios que garantem um grande poder de fogo às forças desembarcadas. Ao serviço da Companhia de Apoio de Fogos estão os morteiros médios de 81mm e pesados de 120mm que garantem um alcance de até 5 km, enquanto que o canhão sem recuo Carl Gustaf de 84mm oferece alguma capacidade anti-tanqe. Contam ainda com os mísseis filoguiados Milan, para luta anti-tanque dedicada, de fácil emprego e transporte.


O uniforme é também uma parte importante do equipamento dos fuzileiros. O actual é de boa qualidade e é na sua maioria de origem portuguesa. Recentemente foi adquirido um novo capacete com maior protecção.

O Corpo de Fuzileiros possui veículos de transporte tácticos, como viaturas ligeiras todo-o-terreno e camiões Mercedes e Berliet e a Polícia Naval usa ainda motocicletas para efeitos de vigilância. Para transporte anfíbio pode recorrer-se aos veículos Larc-5, embora não possuam grande capacidade de desembarque. Conseguem transportar até 20 pessoas ou 4,5 toneladas de carga, com uma velocidade máxima de 48 km/h em terra e 14 km/h no mar.

Para desembarque de veículos pesados e de grande número de fuzileiros, a marinha conta com 3 LDG (Lanchas de Desembarque Grandes) Classe "Bombarda" de construção nacional, com uma autonomia de 2.600 milhas e capacidade para 120 homens ou 350 toneladas de carga. Para missões menores existem as LDM 100 e 400, com 50 e 48 toneladas respectivamente.